Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 09/05/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira assegura, em seu capítulo III, a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico. Todavia, devido à falta de investimentos no meio acadêmico e à desvalorização do profissional qualificado, o Brasil tem perdido um grande número de cientistas, expoentes em suas respectivas áreas, para o estrangeiro, fator que prejudica a adimplência da garantia constitucional supramencionada. Diante disso, urge a necessidade de intervenção estratégica estatal com vistas a melhorar as condições da comunidade científica nacional e inibir as evasões.
Em princípio, sabe-se que o investimento na ciência é uma das chaves para continuidade do progresso das potências emergentes. Por conseguinte, há algumas políticas nacionais que buscam motivar a qualificação técnica, como o programa “Ciência sem Fronteiras”, iniciativa do Estado que fornece bolsas internacionais para que estudantes de nível superior tenham acesso a centros de ensino renomados ao longo do globo e possam melhorar suas qualificações. Conquanto, o retorno do dispêndio é comprometido, uma vez que boa parcela dos contemplados cogita deixar o país após a
conclusão dos estudos, situação que deve ser evitada em prol do avanço da Nação.
Faz-se imperioso, ainda, salientar que o combate às causas da diáspora tecno-científica, “brain drain”, deve preceder o desenvolvimento das políticas de retorno, que agiriam apenas no efeito. Certa vez, o cientista e artista italiano Leonardo da Vinci mencionou que o sol jamais enxergaria a sombra. A partir desse aforismo, ao comparar os raios solares à valorização acadêmica, disponibilização de verbas e combate à estagnação profissional do cientista, torna-se evidente que o “status quo”, ou sombra, é incompatível com a luz. Portanto, pode-se dizer que a busca da luz é o próprio combate às causas da problemática.
Destarte, depreende-se que preterir os pleitos da comunidade científica é a pior maneira de lidar com o hodierno panorama. Logo, cabe ao parlamento abrir comissão para avaliar os pormenores da normatização e disponibilização de recursos para ao meio acadêmico. Para atingir tal fim, deverão ser conclamados a participar dos plenários, representantes executivos do Ministério da Educação (MEC), Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e Ministério da Economia, além de membros da categoria acadêmica. A ideia é que se alcance um texto plural, que organize o plano de carreira do cientista e o incentive, financeira e profissionalmente a permanecer no país e desenvolver seu trabalho, Assim, o Brasil dará passos cada vez mais firmes rumo à consolidação do lema positivista ostentado em sua bandeira: ordem e progresso.