Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 15/01/2021
No final de 2019, a produtora de filmes brasileira Porta dos Fundos foi reconhecida internacionalmente pela vitória do Emmy de comédia com seu especial de Natal. Tal acontecimento simboliza muito mais do que um premio interncional, pois vai na contramão de um discurso hegemônico que supervaloriza o consolidado cinema americano em detrimento do nacional. De maneira análoga ao que ocorre na indústria cinematográfica, a pesquisa brasileira também é alvo de grande desvalorização em razão do movimento de globalização. Dessa forma, os intelectuais brasileiros são extremamente desvalorizados tanto pela população a qual enaltece somente instituições estrangeiras quanto pelo Estado que, em razão da ausência de pressão, não realiza os investimentos necessários para a prosperidade e manutenção de cérebros no Brasil.
Em primeira análise, vê-se o processo de globalização, somado à mercantilização da cultura, vende uma imagem de supremacia intelectual estrangeira para a população brasileira. Nessa perspectiva, os sociólogos alemães da Escola de Frankfurt teorizam e explicam que esse impacto do capitalismo no âmbito cultural busca cada vez mais transformar pessoas em consumidores através da criação e venda de uma cultura artificial e lucrativa. Desse modo, os brasileiros compram uma visão que engrandece as grandes potências mundiais em detrimento da integridade e força da pesquisa e inovação interna a qual acaba sucateada pela falta de suporte.
Além disso, consoante com o pensamento de Nicolau Maquiavél, filósofo italiano, em seu livro “O príncipe”, um governante deve, através de virtú, lidar com a fortú, ou seja, fazer o que for preciso para manter-se no poder lidando com os imprevistos. Contudo, como consequência do descaso populacional com os pesquisadores, o governo vigente consegue manter sua autoridade mesmo sem se preocupar com investimentos nessa área. Dessa maneira, de forma indireta, os cérebros brasileiros são obrigados a sairem do próprio país em busca de melhores condições de trabalho.
É substancial, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar a desvalorização de intelectuais brasileiros. Sendo assim, urge que a mídia, por intermédio de reportagens em horário nobres, divulgue cada vez mais invoações desenvolvidas por pesquisadores brasileiros acompanhadas das condições precárias vivenciadas por eles. Dessa forma, a sociedade civil passará a entender melhor a importância da pesquisa e, consequentemente, fará pressão para que o Estado aumente os investimentos. Somente assim, o brasil será um lugar atrativo para seus celebres cientistas que poderão desfrutar de um premiado especial de comédia em território nacional.