Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/05/2020
‘‘Educação não transforma o mundo. Educação forma humanos. Humanos transformam o mundo’’. Tal asserção foi promulga pelo pedagogo brasileiro Paulo Freire, e sintetiza a importância do ensino e da ciência para evitar sociedades anômicas (como descritas pelo filósofo francês Émile Durkheim) e garantir a equidade. Entretanto, se analisada profundamente a problemática do ‘‘brain drain’’ no Brasil, percebe-se um cenário que contrapõe a idealização de Freire, por conta de um estado inadimplente que vilipendia as pesquisas com a falta de investimentos, e uma sociedade imprudente, que falha em as dar a sua devida importância, tornando o combate a essa situação um conjunto de desafios complexos.
Primeiramente, é válida a contextualização; apenas no ano de 2017, mais de 21 mil profissionais qualificados deixaram o Brasil para não voltar (de acordo às pesquisas da Receita Federal), sendo uma delas a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, que como muitos outros pesquisadores questionados, afirmou estar tomando tal decisão pela falta de recursos financeiros para a prática de seus estudos. Diante de tais dados, é possível afirmar que o fato de existir um quadro de depuramento cientifico no Brasil, se deve em grande parte pela falta de investimentos governamentais, já que isso pode atrasar os processos cientifícos ou os tornar impraticáveis. Portanto, este é um dos principais e mais latentes desafios no combate ao ‘‘brain drain’’ no Brasil, visto que os próprios representantes do povo não dão a atenção necessária às pesquisas, indicando assim, um cenário que aponta para um desinteresse pela ciência que é coletivo e cultural, já que são poucas as manifestações populares clamando por uma abordagem diferente por parte do governo.
Além disso, é cabível dizer que tal cultura se mostra real ao analisar um dos pensamentos da Suzana, que também disse estar trocando de país por ter-se cansado de um ‘‘ambiente que incentiva a mediocridade’’; tal mediocridade referida por ela, é a própria cultura anticiência, que é comum na sociedade brasileira, pois, essa, diferente de Paulo Freire, não vê a verdadeira importância da ciência. Certamente, isso ocorre por conta do governo e das próprias universidades, que falham em instigar o interesse social na ciência e nas pesquisas, criando, portanto, um paradoxo, onde o povo não se importa, e dessa forma, o estado também não, fazendo com que o povo não se importe.
Diante de tais desafios, cabe a instituições externas medidas que possam quebrar tal ciclo. Uma delas pode ser tomada pelas universidades e cientistas, fazendo divulgações na mídia dos resultados positivos de pesquisas, e como elas podem melhorar a vida das pessoas, criando assim, uma consciência coletiva da importância da ciência,o que,por consequência,implicaria em um povo cobrando mais atitudes do estado, que não teria opção, se não investir em pesquisas, quebrando o paradoxo.