Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/05/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Conquanto, a fuga de mão de obra qualificada e especializada brasileira para outros países, impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Diante desse contexto, a falta de investimento nas áreas de pesquisas no Brasil, cria um cenário de êxodo científico para outros países. Sobre essa ótica, o livro “São Bernardo”, do romancista Graciliano Ramos, mostra de forma clara e objetiva o ideal do filósofo Rousseau de que o homem é produto de seu meio. Desse modo, o fragmento da obra “A culpa foi minha, ou antes, foi desta vida agreste que me deu uma alma agreste”, remete ao ambiente do protagonista como causador de suas ações. De maneira análoga, tal síntese está presente no ambiente brasileiro, uma vez que a fuga é decorrente da falha do meio.

Faz-se mister, ainda, salientar que a desvalorização dos profissionais, tem como consequência a busca de oportunidades no exterior, uma vez que o país não oferece um salário digno ou condições justas para a realização de suas atividades. À luz dessa ideia, o poeta Guimarães Rosa, acerta ao afirmar que “animal satisfeito dorme”, dado que a falta de condições justas aos profissionais, no contexto trabalhista, cria um cenário de comodismo social. Tal fato, tem como consequência a banalização da saída de mão de obra qualificada e especializada para fora do país.

Medidas são, portanto, necessárias para mitigar esse quadro. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Economia em conjunto com o Ministério das Finanças estabelecer um novo teto de investimentos nas áreas de pesquisas, tal questão seria discutida através de reuniões com os pesquisadores, objetivando assim o aumento do capital no setor, tendo em vista o desenvolvimento dessa área. Ademais, é papel do Tribunal de Contas da União reorganizar o destino financeiro dos investimentos, de tal forma que seja possível estabelecer incentivos para os pesquisadores, por intermédio de auxílios pesquisas, como o efeito de valorizar o profissional. Somente assim, será possível estabelecer um ambiente justo.