Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 15/05/2020
Os portugueses ao darem início à empreitada colonizatória do território brasileiro, diferentemente do que fizeram os espanhóis em algumas regiões da américa, não estimularam a produção acadêmica. Em decorrência disso, criou-se um panorama sociocultural, que se estende até hoje, focado meramente em questões econômicas superficiais, onde os feitos que exigem um pouco mais de capacitação intelectual não são devidamente valorizados. Assim, acarretando numa massiva evasão de cérebros brasileiros em bucas de condições melhores mundo afora.
Erroneamente, acredita-se que a ida de brasileiros para o exterior com ênfase no exercício profissional, visa unicamente a acumulação de capital e de bens, mas ao se observar cartas como a da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, publicada na Revista Piauí, percebe-se que não. No relato, a cientista afirma que muitas vezes chegou a subsidiar seus próprios trabalhos, já que não recebia incentivos, seja do instituto onde trabalhava, seja do Governo. Logo, fica mais do que evidente que a falta de estímulo é um fator muito mais agravante para esse tipo de migração, visto que muitas vezes o reconhecimento financeiro é só uma consequência de se fazer aquilo que ama.
Outro ponto não menos importante que promove esse fluxo de brasileiros rumo ao exterior é a hipertrofia de alguns setores produtivos, como é o caso do cinema nacional. Por mais que o cinema brasileiro consiga produzir uma série de filmes, ainda está longe de ter o aparato financeiro e tecnológico apresentado pelo cinema americano, por exemplo. E isso gera uma série de frustações, uma vez que os profissionais não podem exercer plenamente seus conhecimentos e suas criatividades – dois sucessos “hollywoodianos”, “Matrix e Era do Gelo”, foram desenvolvidos, em partes, por profissionais brasileiros.
O Brasil ainda tem muita capacidade intelectual e profissional inexplorada e caso não comece a desenvolvê-las, corre sérios riscos de sofrer um processo inestimado de “brain drain”. Contudo, para que esse quadro seja revertido, é necessária, por parte do Governo Federal, a retirada de verbas de setores já muito bem articulados, como é o caso do setor agroexportador, e a consequente injeção dessas quantias em setores hipertrofiados como o cinema, a indústria e pesquisa farmaceutica, a pesquisa médica, etc. Talvez só assim, com esse “ponta pé” inicial, a cadeia produtiva brasileira possa ser alterada, proporcionando um aumento da valorização intelectual e um aumento da qualidade de vida dos brasileiros num todo.