Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 16/05/2020

O pesquisador brasileiro, Daniel Silva Guimarães, diz que quando não houver mais fronteiras para a pesquisa cientifica, a morte, fome e dor serão reduzidas. Com isso, fica evidente o papel social da produção de ciência em uma sociedade. Entretanto, promover condições mínimas para garantir que pesquisadores permaneçam no Brasil e continuem produzindo ciência ainda é um desafio. Ou seja, muitos cientistas motivados pela falta de incentivo em pesquisas por parte do estado e a reduzida absorção desses profissionais em empresas privadas, acabam optando pela emigração em busca de melhores condições de trabalho e reconhecimento.

Sob esse viés, no ano de 2019, o Brasil obteve a 66ª posição no Índice Global de Inovação ( IGI ), refletindo dessa maneira os impactos negativos de quando não há incentivos à pesquisa e inovação. Com isso, diversos cientistas são recrutados por empresas ou instituições estrangeiras, gerando uma alarmante diáspora científica. Dessa forma, ao chegarem nesses países e encontrarem diversas condições favoráveis, reconhecimento e qualidade de capital humano, tais profissionais decidem por fazer dali seu ambiente de trabalho e abandonam seu país de formação.

Outrossim, outro fator decisivo para a fuga de cérebros brasileiros é a baixa absorção desses cientistas pelo setor privado. Segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, o número de doutores cresceu cerca de 500% de 1996 a 2014, entretanto o percentual de contratação no mercado é mínimo. Ou seja, a dificuldade brasileira em manter esse capital humano empregado corrobora para uma frequente fuga do país em direção à nações que valorizam esse conhecimento científico de modo efetivo. Diante disso, o país que formou esses profissionais conta com um déficit intelectual, e países estrangeiros são beneficiados com essa incorporação, de modo a continuar se desenvolver, agora, com a colaboração de brasileiros que eram desprestigiados em sua terra mãe.

Portanto, para que haja garantia da permanência de cérebros no Brasil, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação mapeie as necessidades das universidades em relação ao deficit orçamentário e elabore um plano para alavancar as produções científicas brasileiras , juntamente com o Ministério da Economia que investirá 3% PIB brasileiro para pesquisas em universidades públicas e 1% em privadas, por meio de bolsas e investimentos tangíveis, como compra de aparelhos tecnológicos. Ademais, cabe ao Governo Federal, ampliar os investimentos fiscais para empresas de Tecnologia da Informação, e contemplar outros setores, como a indústria farmacêutica, que apresentem projetos de pesquisas em benefício brasileiro. O efeito disso será um enfraquecimento na fuga de cérebros e uma sociedade se desenvolvendo gradualmente com recursos nacionais.