Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 14/05/2020
Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal do Brasil, que definiu o Estado como principal ferramenta de garantia do desenvolvimento educacional e trabalhista do país. Entretanto, no Brasil, em pleno século XXI, este mecanismo de garantia tem se mostrado ineficiente, visto que a “fuga de cérebros” é um fenômeno constante na nação. Diante disso, é necessário estabelecer que a falta de investimentos em educação universitária e os altos índices de desemprego fazem com que os artigos descritos pela Constituição sejam “rasgados” e o combate da “evasão cerebral” seja uma utopia.
A priori, é válido destacar que a escassez de subsídios governamentais nas universidades do país tem sido o principal antígeno para a evasão de estudantes e pesquisadores do país. Em março de 2019, o Governo Federal bloqueou cerca de 5,81 bilhões de reais na área da educação, gerando um caos na infraestrutura e nas inúmeras pesquisas científicas e tecnológicas que estavam sendo desenvolvidas. A partir disso, é fato inconteste que os universitários e pesquisadores do território nacional que possuem uma grande gama de conhecimentos são estimulados a saírem do país, com a finalidade de conseguir recursos para estudarem e trabalharem de forma plena. Logo, é importante salientar que se os representantes não abrirem os olhos para a importância da ciência, estes fluxos migratórios serão cada vez mais comuns na sociedade brasileira e, consequentemente, implicará na lentidão do desenvolvimento da pátria.
No entanto, existe outro fator que provoca a “repulsão do conhecimento” no país. Os altos níveis de desemprego geram uma descrença por parte dos acadêmicos, visto que estes estudam sem ter a garantia de conseguir se inserir no mercado de trabalho formal. Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2020, a ausência de emprego atinge cerca de 12,3 milhões de brasileiros. Dessa forma, a necessidade de atingir um objetivo e construir uma família de forma saudável origina um pensamento de migração permanente para outro país e, por conseguinte, a exteriorização de todo conhecimento científico adquirido.
Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para atenuar o panorama da “fuga de cérebros” na sociedade brasileira. O Ministério da Educação juntamente com o Poder Legislativo deve, por meio de aprimoramentos nas leis educacionais, criar programas que assegurem o fornecimento de verbas para as faculdades públicas da nação, a fim de que os discentes tenham condições adequadas para estudar. Cabe também ao Ministério do Trabalho, através de processos seletivos, fornecer vagas de emprego aos recém formados, com o propósito de garantir um bem-estar social para estes. Dessa forma, a Constituição será respeitada e a evasão cerebral combatida.