Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 01/07/2020

Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que o autor prega, uma vez que há uma tendência de fuga de cérebros do Brasil para países centrais, necessitando de medidas para combatê-la. Esse cenário antagônico é fruto do ambiente desfavorável à ciência, além da falta de um mercado para os cientistas brasileiros.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o Brasil possui um movimento anticiência ascendente no território. No primeiro ano de mandato do presidente Bolsonaro, foi realizado um congelamento de gastos não obrigatórios das universidades públicas, afetando diretamente a realização de pesquisas. Dessa maneira, grande parte das iniciações científicas (que permite um primeiro contato entre o jovem com a pesquisa acadêmica) foram afetadas e suspensas. Essa realidade tornou-se um absurdo, pois evidência o descaso do governo brasileiro com a ciência, podendo provocar, em um futuro próximo, a ida desses pesquisadores para outros países que incentivem seus trabalhos.

Ademais, além de ser necessário o estímulo à ciência, também é preciso que haja um mercado de trabalho consolidado para o cientista. Porém, a realidade brasileira é preocupante, visto que são poucas as indústrias ou empresas, no Brasil, que contratam pessoas com títulos de doutorado ou mestrado, alegando o alto custo desses funcionários. Essa situação é inaceitável, todavia, demonstra o quanto, ainda hoje, o Brasil possui um atraso em seu desenvolvimento em relação à ciência e na aplicação do trabalho científico - provocando a fuga de cérebros.

Portanto, infere-se que medidas exequíveis são necessárias para melhorar essa problemática da diáspora de cérebros. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se, urgentemente, de que o governo federal aumente a verba destinada para a pesquisa acadêmica, por meio de parcerias com instituições privadas, visando a incentivar o desenvolvimento de pesquisa no Brasil e, assim, diminuir a migração dessas pessoas para outros países. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo no qual esse problema causa, e a coletividade chegará mais perto da “Utopia” de More.