Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/05/2020

O filme infantil ‘‘Zootopia’’ mostra  a perspectiva de uma jovem coelha inspirada em conquistar a cidade grande que, naturalmente, ofereceria as oportunidades necessárias para que a protagonista desenvolvesse suas sonhadas aspirações. Fora da ficção, grandes centros cosmopolitas também atraem indivíduos a procura de melhores oportunidades para desenvolver seus próprios projetos. Nesse sentido, o governo brasileiro tem enfrentado desafios no que diz respeito à evasão de profissionais qualificados em virtude de problemas internos, como o desamparo desses indivíduos a longo prazo e, concomitantemente, o pouco incentivo aos campos de pesquisa em que estão inseridos.

Em primeiro plano, a situação dos pesquisadores brasileiros é perigosamente instável quando comparada a de países como a Suíça, por exemplo, onde a pesquisa científica é considerada profissão e garante direitos legais como a aposentadoria. Em contraste a essas vantagens, no Brasil, em razão dos contingenciamentos no setor ainda em 2019, as bolsas de pesquisa em universidades públicas foram reduzidas para que não fosse necessário reduzir o valor do benefício que os estudantes recebem. Paradoxalmente, segundo uma pesquisa da BBC, cerca de 90% da produção científica no país é realizada justamente por estudantes da pós-graduação pública.

Ademais, existe também o paralelo desamparo à própria pesquisa enquanto campo de estudo. Nesse contexto, ainda por volta de 1964,o educador brasileiro Paulo Freire foi exilado do país por seus estudos serem considerados de cunho ‘‘socialista’’ pelo Estado militar. Analogamente, na modernidade, cientistas brasileiros se veem forçados a migrar, uma vez que, mesmo que indiretamente, o governo não prioriza seus campos de pesquisa; ainda de acordo com a BBC, as ciências sociais continuam a ser as mais afetadas.

Dessa maneira, são evidentes os desafios que impedem o controle da fuga de cérebros no contexto nacional. Portanto, cabe ao Governo Federal, em associação com o CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa), assegurar a instituição de bolsas a todos os campos de pesquisa nas instituições de ensino público brasileiras. Além disso, com a ajuda do Congresso Nacional, devem ser aprovadas emendas que garantam fornecimento anual crescente dessas bolsas sem afetar seus valores e também se preocupem em tratar os pesquisadores com os direitos trabalhistas de que dispõem as outras profissões, para que, invariavelmente, seja freada a evasão dos ‘‘cérebros’’ responsáveis por agregar valor, conhecimento e estrutura ao Brasil.