Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 18/05/2020

A falta de incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil remete questões histórico-culturais. É evidente que, como o país sempre foi muito eficiente na produção agropastoril devido ao clima e solo favoráveis, o desenvolvimento de novas tecnologias no nunca foi prioridade como era na Europa desde o período colonial. Nesse sentido, evidencia-se na sociedade contemporânea o fenômeno da drenagem de cérebros, ou seja, uma elevada taxa de imigração de profissionais qualificados. Tal fenômeno pode ser explicado pela carência de investimentos em educação e pesquisas, assim como o sentimento de antipatriotismo e exaltação do exterior.

Em primeiro plano, é fundamental ressaltar a escassez de recursos injetados nas áreas de educação e pesquisa no Brasil. Nessa perspectiva, destaca-se a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição, PEC 241 de 2016, do teto de gastos públicos durante o governo de Michel Temer, o qual impossibilita o crescimento de setores desenvolvimento tecnológicos. Desse modo, testemunha-se um cenário de repulsão de profissionais qualificados, que almejam trabalhar em locais onde há recursos e fundos de investimento para aprimorar sua profissão, panorama que tende a perdurar na sociedade brasileira hodierna.

Outrossim, é válido salientar a existência de sentimentos antipatriotas entre a população, assim como a comum exaltação ao exterior. Nessa lógica, percebe-se a influência eurocentrista de formação do nosso país, juntamente com a disseminação massiva de filmes “hollywoodianos” que engrandecem as culturas e sociedades estrangeiras, enquanto difamam a imagem do Brasil. Além disso, a ação midiática brasileira é negligente em relação a prática do nacionalismo e propagação do sentimento patriota, favorecendo a aceitação do cenário exposto pelo estereótipo de que o Brasil é um país com menos oportunidades e pior qualidade de vida. Fica claro, portanto, a necessidade brasileira de combater a fuga de cérebros.

Para tanto, cabe ao Ministério da Fazenda a formulação de um plano de investimento nas universidades, uma vez que essas são os polos de pesquisa do país, por meio de parceria com empresas consolidadas na área, a fim de proporcionar um cenário atrativos para os profissionais qualificados. Ademais, é fundamental a participação mais ativa da mídia nacional na propagação do sentimento patriota e reforço de uma imagem positiva do país, para despertar na população a vontade de permanecer e ajudar o Brasil se desenvolver.