Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 19/05/2020
“Diáspora” é o nome dado à situação de pessoas saindo de seu território original por motivos de força maior, tal como ocorreu com os cretenses nas invasões dóricas da antiguidade clássica. Analogamente, pode-se perceber que a desvalorização crescente da ciência brasileira colabora para que pesquisadores e profissionais qualificados abandonem o Brasil em busca de oportunidades e melhores condições de para se sustentarem, fato esse que acarreta consequências socioeconômicas para a nação.
Primeiramente, observa-se que o saber científico recebe pouco investimento governamental, sendo que esse comportamento possui raízes históricas. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro tende a realizar ações afetivas, ou seja, atitudes que se destinam à satisfação particular ou cujo efeito ocorre a curto prazo. Dessa maneira, entende-se a tendência das ações governamentais desestimularem projetos que dão resultados a longo prazo, característica das pesquisas científicas. Esse quadro resulta, assim, em frequentes cortes de bolsas científicas, tais como o ocorrido com 85% das bolsas da área de humanas em 2020, segundo dados do jornal Folha de São Paulo, enquanto persistem gastos com salários altíssimos e fundos eleitorais milionários na máquina pública.
Consequentemente, tal situação desestimula a estadia de profissionais valiosos no país, não só enfraquecendo a pesquisa inovadora, como também resultando em prejuízos socioeconômicos. Segundo o geógrafo Milton Santos, um dos pilares para a permanência de um país no mundo globalizado é a tecnologia que ele possuí. Verifica-se, então, que o insuficiente estímulo ao estudo científico inovador promove o insuficiente desenvolvimento de tecnologias úteis à relevância da nação no cenário global, além de gerar uma fraca resposta à eventuais demandas sociais, tais como a necessidade por medicamentos a custos menores e tratamentos de saúde mais acessíveis.
Desse modo, considerando o triste quadro do enfraquecimento da ciência no Brasil, bem como as consequências que tal situação trás ao país, urge que medidas sejam tomadas para amenizar o problema. Para que hajam maiores investimentos na pesquisa científica brasileira e a consequente estadia de profissionais qualificados, urge que o Governo Federal, mediante verbas governamentais extraídas da redução orçamentária da máquina pública, institua projetos que promovam maior oferta quantitativa e qualitativa de bolsas de pesquisa em universidades públicas e Institutos Federais, além de fomentar reformas que oferecessem insumos úteis às pesquisas, tais como reagentes e laboratórios. Estaria-se, assim, implementando medidas que ajudariam, gradualmente, a estancar a “diáspora de cérebros” que tem ocorrido na nação.