Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 20/05/2020
Durante período clássico da sociedade ateniense da Grécia Antiga, houve o enaltecimento da edu-cação a partir do surgimento dos sofistas. Nesse cenário, estes filósofos representavam a valorização do profissional e da própria educação ateniense. Entretanto, percebe-se, na contemporaneidade, um grande descaso com o ensino superior, especialmente em países emergente e subdesenvolvidos, o que evidencia um problema social relacionado ao movimento migratório da fuga de cérebros. Assim, tal migração pode ser compreendida tanto como uma consequência da negligência estatal com a ciência, como um reflexo da postura “anti-educação” vivenciada nesses países.
A priori, é necessário analisar a migração dos grandes profissionais como um resultado da postura negligente do Estado com o desenvolvimento científico. Nesse contexto, observa-se a falta de investi-mentos nos centros universitários e de pesquisa do país, principalmente ao analisar a ausência de uma estrutura de qualidade, bem como a falta de equipamentos modernos. Ademais, a partir da formação dos Tecnopolos surgidos durante a Revolução Técnico-Científica, também tornou-se perceptível a con-centração desses campos de pesquisa em apenas algumas regiões brasileiras, acentuando as dispari-dades de investimento nas diferentes regiões do Brasil. Conforme dados divulgados pelo IBGE, entre 2011 e 2017 houve um aumento de 165% da fuga de cérebros em decorrência da desvalorização dos centros de pesquisa do país.
Outrossim, também é relevante a análise do reflexo que um precário investimento no ensino su-perior tem na sociedade. Nessa conjuntura, percebe-se que a falta de incentivo governamental nos setores de pesquisa científica promove a formação de profissionais medíocres. Em contrapartida, os profissionais mais capacitados e com uma educação de qualidade passam a ser desvalorizados, o que faz com que o movimento da fuga de cérebros se torne a melhor saída para esses profissionais, ainda que acabe por prejudicar a economia nacional. De acordo com Darwinismo Científico, o progresso e o desenvolvimento de um país somente ocorre pelo investimento na ciência e na educação.
Portanto, é evidente que a fuga de cérebros precisa ser evitada. Por isso, é necessário que o MEC, associado ao Ministério da Fazenda, promova maior investimento nos Tecnopolos do Brasil. Isso pode ser feito por meio da aplicação de recursos financeiros que possibilitem estruturas, profissionais e equi-pamentos de melhor qualidade a fim de reduzir a migração desses especialistas, já que o progresso do país depende do progresso científico. Ademais, também é necessário que o MEC promova mudanças na postura da educação brasileira de modo a valorizar os profissionais e a pesquisa do meio científico e, assim, retome os valores enaltecidos durante a Grécia Antiga pelos sofistas.