Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 26/05/2020

Segundo o educador Paulo Freire “se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Sem dúvidas, nos dias atuais, a educação exerce um papel central para a composição da sociedade contemporânea. Contudo, se percebe no Brasil um movimento que mostra um retrocessos na ciência nacional: a fuga de “cérebros”. Nesse cenário, cabe-se discutir as causas e os possíveis desdobramentos desse triste fenômeno.

Em primeiro lugar, vale destacar a negligência estatal com a pesquisa como principal causa para a fuga de cérebros no Brasil. Em 2020, o MEC lançou uma portaria que modificou as regras do Capes para o fomento de pesquisas. Essa instituição criada para expandir o número de profissionais de nível superior, acabou por, “cortar” a bolsa de milhares de pesquisadores brasileiros, além de impedir o ingresso de novos cientistas. Esse exemplo é um entre tantos casos que acabam por fazer o profissional qualificado deixar o país a procura de condições dignas de trabalho.

Nesse viés, o Brasil acaba perdendo os potenciais benefícios que a produção científica podem produzir. Um exemplo recente de enorme sucesso na pesquisa brasileira é o Pré-Sal: uma tecnologia totalmente nacional que modificou toda a estrutura econômica do país. Apesar dessa grande inovação, muitos outras linhas de pesquisa que poderiam gerar um grandes impactos são descontinuadas no país, pesquisas estas que potencialmente podem revolucionar a Saúde brasileira, a economia entre outras áreas.

Percebe-se, portanto, a importância de se superar os problemas que culminam na fuga de “cérebros” do Brasil. Para isso, faz-se imprescindível que o MEC flexibilize as normas para concessões de bolsa pelo Capes. Tal mudança tem por objetivo de contemplar um número maior de pesquisadores, de forma que esses tenham melhores condições de trabalho. Dessa forma será possível amenizar a fuga de pesquisadores do país e alcançar uma realidade mais próxima ao ideal de Paulo Freire.