Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 20/05/2020
De acordo com o filósofo positivista Aguste Comte a ciência pode ser usada para construir um mundo melhor. Entretanto, o Brasil encontra grandes desafios em combater o fenômeno chamado de “fuga de cérebros”, que consiste na saída de cientistas e profissionais qualificados do país, como a falta de estímulo a carreira científica e falta de investimentos na indústria tecnológica que ocasiona uma produção defasada de ciência e dificulta a construção do mundo melhor sonhado por Comte.
Em primeira análise, cabe ressaltar que a falta de estímulo e incentivo a carreira científica no Brasil tornou-se um desafio para o combate a fuga de cérebros no país. Nesse sentido, de acordo com o jornal Correio Braziliense, os investimentos em pesquisas e desenvolvimento no Brasil não passam de 1% do Produto Interno Bruto do país, em contrapartida, em países como o Japão, chega a 3,44% do valor do PIB. Dessa maneira, o pouco investimento no custeio de pesquisas científicas reflete em valores baixos de bolsas para os cientistas que muitas vezes não conseguem bancar os custos de suas pesquisas no Brasil e precisam recorrer ao investimento estrangeiro. Sendo assim, para manter a produção de ciência nas mais diversas áreas dento do país, é necessário investir em bolsas de pesquisas que proporcionem boas condições de trabalho para o cientista e o seu reconhecimento como profissional, o que hoje não é uma realidade no Brasil.
Ademais, outro embate para combater a fuga de cérebros é a falta de investimentos em tecnologia para a indústria. Dessa forma, mesmo que o país consiga investir em educação e qualificação profissional, a indústria brasileira atual não consegue absorver o capital humano, visto que ainda carece de alta tecnologia. A exemplo disso, o professor da USP Mario Sérgio Salerno explica que a indústria ainda não alcançou o desenvolvimento tecnológico necessário para competir no mercado internacional e oferecer cargos que exijam alta qualificação profissional. Assim, o indivíduo sai da universidade qualificado, mas sem garantia de inserção no mercado de trabalho, pois este não possui tecnologia o suficiente para precisar da sua mão de obra. Portanto, a falta de investimento na criação de uma indústria tecnológica que comporte profissionais altamente qualificados faz com que estes procurem por empregos em países onde o desenvolvimento tecnológico é mais alto.
Em suma, cabe ao Ministério da Educação dar maior suporte e incentivo aos profissionais cientistas e pesquisadores, por meio da ampliação da concessão de bolsas de estudo e pesquisa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que coordena as pesquisas de mestrado e doutorado, para assim incentivar a permanência da produção de ciência no país. Além disso, o Poder Público Brasileiro deve investir em tecnologia voltada à produção industrial.