Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 23/05/2020
No atual contexto da Revolução Técnico-Científico-Informacional, é notório a necessidade de pessoas altamente qualificadas nos campos de descobertas e evoluções que permeiam esse período. No entanto, a realidade vigente na contemporaneidade brasileira promove a imigração desses indivíduos para outros países, em um evento conhecido como “fuga de cérebros”. Desse modo, desafios como o pensamento anacrônico e o descaso das organizações governamentais eleva a dificuldade em se combater tal processo no atual cenário brasileiro.
É relevante abordar, primeiramente, que no limiar do século XVIII se efetivou a corrente filosófica iluminista, promovendo grandes avanços na ciência e no pensamento humano. Nesse contexto, embora tenha se passado três centenários, o Iluminismo em sua principal ideia não se efetivou no Brasil, uma vez que em meados do século XXI o pensamento anacrônico, obsoleto e antigo em torno da ciência se encontra vigente na sociedade. Tal fato, é observado na entrevista realizada pelo portal “Ensinar e Aprender” com a renomada cientista Suzana Herculano-Houzel, que ao ressaltar o pensamento antigo e preconceituoso sobre a disciplina científica no país, relata que este preconceito é um dos principais motivos para a imigração de cérebros do país.
Em decorrência disso, tal forma de pensar se estende para os campos governamentais, criando-se assim uma entrave para o desenvolvimento nos planos tecnológicos e científicos do país. Dessa maneira, a falta de investimentos e de incentivo à pesquisa e a ciência no Brasil com o alto nível de desemprego de pessoas com boa formação aliada à falta de preocupação do governo em reverter esse situação, faz com que esses indivíduos se sintam desvalorizados e com isso se mudem para outras nações. Nesse sentido, tal fato se torna perceptível ao se observar os dados coletados pelo jornal Estadão, que afirmam que em 2016 ocorreu a pior crise financeira da história nos institutos de ciência dependentes do Governo Federal, evidenciando o descaso alarmante dos governantes em torno desse ramo e o “porquê” dessa “fuga” .
Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de combater esses desafios e diminuir dessa maneira os pensamentos preconceituosos e o descaso com esses indivíduos. Posto isso, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia- responsável pelo desenvolvimento do patrimônio científico e tecnológico - investir uma maior quantidade de recursos nesses campos, além de promover campanhas nas redes publicitárias sobre a necessidade dessas pessoas no país. Somente sob tal perspectiva, será possível que esses indivíduos observem uma maior valorização e que sua presença é essencial em um período que os exige para o desenvolvimento econômico do Brasil na 3ª Revolução.