Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 22/05/2020

“Ordem e Progresso”. Infelizmente, o pensamento positivista escrito na bandeira do Brasil não reflete o presente da sua sociedade. Nessa perspectiva, a fuga de cérebros espelha, no país, a sua realidade quanto ao regresso nos setores científico e educacional. Nesse sentido, à procura de melhores condições de estudo e trabalho, cientistas brasileiros estão cada vez mais partindo para países desenvolvidos para executar seus ofícios. A exemplo disso, de acordo com pesquisas da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, apenas na última década, o índice de saída de profissionais brasileiros qualificados sofreu um aumento de mais de 10%. Decerto, esse fenômeno ocorre devido à carência de investimento governamental e é prejudicial ao desenvolvimento da nação.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a escassez de investimento do Estado é um empecilho para a evolução nacional. Nesse contexto, recentemente, em 2019, o Governo efetuou, segundo o Tesouro Transparente, um corte orçamental de mais de 30% no Ministério da Educação, MEC. Nessa perspectiva, a constante redução de verbas educacionais tem como efeito a limitação de recursos, como o financiamento de pesquisas científicas e bolsas estudantis, o que afeta a vida de milhares de estudantes e profissionais. Como prova disso, ao se expressar na revista Piauí, médica brasileira declara ter saído do país devido à falta de oportunidades de evolução científica no Brasil.

Além disso, vale salientar que a fuga de cérebros é desfavorável ao progresso do país. Nesse cenário, cabe destacar que o Brasil é considerado pela Organização das Nações Unidas, ONU, um país emergente. Nesse ponto de vista, a nação não possui “Know How”, conjunto de conhecimentos técnicos, científicos e informacionais fundamentais para o desenvolvimento nacional. Assim, a emigração de profissionais qualificados, rumo a Países de Primeiro Mundo, impede a evolução do país. A título de exemplo, segundo a Biblioteca Eletrônica Científica On-line, SciELO, a comunidade científica nacional tem demonstrado preocupação em relação ao desenvolvimento do país devido a esse êxodo.

Em síntese, no Brasil, a fuga de cérebros ocorre em razão da falta de investimento governamental e trata-se de um obstáculo para o seu desenvolvimento. Logo, cabe ao MEC, por meio de investimento financeiro, fornecer bolsas estudantis e financiamento de pesquisas aos cientistas brasileiros, a fim de assegurar-lhes melhores condições de estudo e trabalho. Ademais, ele deve, mediante meios comunicativos, como televisão e redes sociais, incentivar o ingresso da população no meio científico, com o intuito de ampliar a prosperidade nessa área. Dessa forma, com essas medidas, espera-se combater a fuga de cérebros que persiste no Brasil e, por conseguinte, caminhar rumo à ordem e ao progresso nacional.