Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/05/2020

Em 2018, na abertura da Copa do Mundo da Rússia, um homem paralítico conseguiu andar e chutar uma bola de futebol através de um exoesqueleto, feito por um estudo do brasileiro Miguel Nicolelis. A cena chamou a atenção do mundo todo, deixando boquiabertos cientistas dos mais diversos países. No Brasil, porém, o momento não foi exibido nem pela maior rede nacional de televisão. Em síntese, fatos como esse envidenciam a superficialidade da cultura de massa da população brasileira, além de um certo imediatismo nas políticas do governo, que ocasionam a fuga de cérebros do país para outros com melhores condições de trabalho.

Primeiramente, deve-se explicitar que à medida que o Brasil que perde tais cérebros, perde ao mesmo tempo um grande potencial de inovações, desenvolvidas por seus nacionais, mas para uma outra nação. Segundo artigo do docente da Universidade de São Paulo, Ernane Xavier, isso causa um enorme dano à economia e ao desenvolvimento do país, que carece desses profissionais, e poderia fazer um ótimo uso de seus conhecimentos. Um exemplo está no setor de cinematografia e produção gráfica, com os fenômenos de bilheteria de Hollywood recebendo cada vez mais a contribuição de profissionais brasileiros, com destaque para o filme “Matrix”, considerado uma revolução cinematográfica e o desenho computadorizado “A Era do Gelo”, sucesso de público.

Segundamente, por consequência, é fortalecida a chamada “Cultura de Massa”, citada pela Escola  Filosófica de Frankfurt. Nessa cultura, a informação passa por uma diluição para que chegue à população, não sendo valorizados o tempo e a dedicação. Desse modo, o governo age por imediatismos e superficialidade nas políticas que toma, buscando atingir apenas os setores finais e não a profundidade, a complexidade desses fatores sociais. Como defendido pelo sociólogo Edgar Morin, esse anti-intectualismo se trata da falta de condições e oportunidades para algumas áreas. Isso se evidencia com a declaração do cientista Bruno Martorelli, que se mudou para os Estados Unidos alegando que, no Brasil, faltam oportunidades de emprego, proteção às verbas destinadas às universidades, e oficinas voltadas para equipamentos de suporte à ciência.

Logo, tendo em vista os aspectos mencionados, faz-se de vital importância que o governo, a partir da liberação de verbas fincanceiras, invista financeiramente na criação ou no incentivo de indústrias que fortaleçam o trabalho dos “cérebros” brasileiros, por meio da produção de equipamentos ou da contratação dos profissionais. Simultâneamente, para que tal medida opere, são necessárias políticas públicas de controle financeiro e atividade da mídia de visibilidade à personalidades nacionais. Dessa forma, “craques” como Miguel Nicolelis receberão, no Brasil, a “medalha” que merecem por seus feitos.