Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 31/05/2020
O filme “O homem que viu o infinito”, conta a história do matemático indiano, Ramanujan, que foi para a Inglaterra a fim de conseguir melhores condições de estudo. A mesma situação se repete com milhares de estudantes e cientistas brasileiros, que saem do Brasil em direção à países que possuam melhores polos de pesquisa e mais oportunidades de emprego. Essa problemática ocorre devido aos baixos investimentos na área de pesquisa e à falta de vínculo entre universidade e o mercado de trabalho. É, portanto, necessário que esse óbice seja analisado e resolvido, tendo em vista a diminuição da evasão de mão de obra especializada do país.
Em primeira análise, vale considerar que o Brasil se encontra bem abaixo do nível de desenvolvimento técnico e científico dos países de primeiro mundo. Isso ocorre devido à entrada tardia do Brasil na Revolução Industrial, fato que atrasou o país na criação de polos científicos e industriais. Como consequência desse atraso, o país se tornou um ponto de repulsão da mão de obra qualificada, visto que os países de primeiro mundo oferecem laboratórios de ponta e as melhores equipes de pesquisadores do mundo, tendo o maior volume de artigos publicados em revistas científicas, como a “Nature”. Decorre disso, também um problema econômico, visto que o Brasil vai perder trabalhadores especializados que são essenciais.
Ademais, no sistema de ensino universitário brasileiro não existem vínculos entre empresas e universidades, salvo exceções como a Universidade de São Paulo e o Instituto de Tecnologia Aeronáutica. Dessa forma, o estudante formado se encontrará em uma situação instável ao terminar seu curso, visto que não encontrará oportunidades de emprego em sua área tão facilmente, podendo assim, ser atraído por empregos ou bolsas de estudos que são amplamente distribuídas por países desenvolvidos. É, então, necessária uma maior aproximação entre indústrias e universidades, com o objetivo de conter as taxas de desemprego dos graduados e também de auxiliar no desenvolvimento tecnológico do país, que o tornará um polo atrativo de trabalhadores qualificados.
Percebe-se, portanto, imprescindível a ação do Ministério da Educação em garantir que base curricular dos cursos superiores seja capaz de se alinhar com o desenvolvimento de tecnologias. Desse modo, os estudantes deverão ter períodos em que trabalham nas próprias empresas, de modo a atuar no processo de criação tecnológica e a adquirir experiência na área. Além disso, o Ministério da Educação deverá investir verbas nas universidades a fim de melhorar as condições de pesquisa no âmbito nacional, criando assim, laboratórios melhor equipados que atuem como um incentivo aos estudantes a permanecerem no país para exercerem suas profissões.