Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 25/05/2020
Segundo o sociólogo britânico Thomas H. Marshall, a cidadania substantiva representa a expansão dos direitos sociais, civis e políticos para toda a população de uma nação. No entanto, ao analisar o crescimento da fuga de cérebros no Brasil, nota-se, que a negligencia dessa visão de cidadania, no país, é o fruto da causa dessa ação. Isso é decorrente de um Estado omisso, mas também pela falta de patriotismo na nação.
Em primeiro lugar, dificilmente o país conseguirá combater a fuga de cérebros com o atual comportamento do Estado. Dado que, apesar da Constituição Federal configura a responsabilidade do governo em garantir e estimular a educação no país, nota-se uma realidade que ilegitima esse regulamento. Como observa-se nos cortes educacionais que ocorreram no ano de 2019, principalmente, no campo da pesquisa. Assim, diante de um Estado que reproduz o enigma da modernidade do filósofo Henrique de Lima, em que a civilização é tão avançada em suas razões teórica e tão primitiva em suas razões éticas, permite que indivíduos encontrem em outros países o subsídio necessário para o seu crescimento profissional.
Ademais, nota-se que esse quadro reverbera também o pensamento do escritor Nelson Rodrigues, sobre o “complexo de vira-lata” presente no país. Haja vista que, a falta de patriotismo existente na nação, a faz endeusar o que está fora do país. Isso pode ser exemplificado, pelo livro a Tenda dos Milagres, de Jorge Amado, pois o personagem Pedro Arcanjo, que viveu no início do século XX, só se tornou conhecido pela sociedade baiana na década de 60 quando um estrangeiro valorizou as suas obras. À luz disso, nota-se que a construção de uma carreira em outro país representa um status de superioridade, segundo esse olhar da nação.
Portanto, para combater à fuga de cérebros no Brasil, faz necessário que a mídia em parceria com a ONGs (Organizações não governamentais) desenvolva comerciais que ilustram os prejuízos que cortes educacionais fomentam no desenvolvimento profissional do cidadão. A fim de que, assim, sensibilize a população a pressionar o governo exercer a sua função social de investir no ensino da nação. Ademais, cabe ao Ministério da Educação construir um projeto estruturado na difusão do patriotismo no país. Para tanto, esse programa contará com aulas interdisciplinares de história e sociologia com intuito de demonstrar, mediante a obras literárias, a importância de valorizar a sua nação, a fim de desenvolver o anseio de preconizar o crescimento profissional no país. Dessa forma, garantir-se-á a cidadania expressa por Thomas Marshall.