Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/05/2020

A obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, fala sobre a jornada de Fabiano e sua família em uma tentativa de fugir dos problemas existentes no sertão, como por exemplo a seca. Diante disso, a circunstância dessa análise configura-se no Brasil atual, tendo em conta que grandes nomes da ciência e cultura brasileira estão indo embora. Contudo, ao analisar a fuga de cérebros no Brasil, nota-se a falta de apoio governamental e a escada valorização social para o agravamento da problemática.

Primeiramente, é essencial ressaltar displicência estatal em colaborar com esse cenário. Nesse sentido, segundo Marcus Garvey, uma nação sem cultura, é um povo sem raízes históricas, o que torna um verdadeiro vazio. Sendo assim, a infraestrutura em centros de pesquisas são muitas vezes pouco beneficiadas de incentivos para construção de áreas de conhecimento, como centros de educação e cultura, dotados de laboratórios, por exemplo. Com isso, torna-se preocupante, visto que sem estímulo de pensamentos, há a permanência de sentimentos de descanso à tecnologia e à cultura. Dessa forma, a negligência do Estado ao investir minimamente na ampliação da ciência, dificulta a conservação de intelectuais no Brasil.

Além disso, é pertinente relatar a desvalorização social nesse quadro. Tendo em vista os dados da Receita Federal, até novembro, “23.540 pessoas fizeram declaração de saída definitiva do país”, essas pessoas, geralmente, enxergam fora do país um futuro melhor para si e suas famílias. Nessa lógica, as falhas da valorização social, como ausência de cobrar o governo enfatizando a importância de pessoas qualificadas e a falta de incentivo às visitas periódicas em centro de pesquisa, inviabilizam o interesse de doutores, graduados e mestres a continuarem seus trabalhos no Brasil. Logo, devido a carência desse encorajamento da sociedade, os “cérebros” optaram pelo Exterior, tendo um " déficit de cientistas" no nosso país.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para o combate à fuga de cérebros. Assim, sugere-se que o Governo Federal como instância máxima da administração pública, na figura do Ministério da Cidadania, realize a conscientização da valorização à ciência no ambiente social, por meio da construção de espaços científicos e debates sobre a importância da permanência e preservação de pessoas qualificadas no Estado para proteger raízes históricas. Dessa forma, espera-se que os cientistas sejam reconhecidos e entendam seus significados para a formação do país. Desse modo, certamente, o Brasil conseguirá compreender a afirmação feita por Marcus Garvey.