Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 28/05/2020

Segundo o escritor ativista Máximo Gorki, a inteligência do mundo é a ciência. Essa afirmação demonstra o quão importante é a valorização do conhecimento científico em função de propiciar um maior desenvolvimento do país. Entretanto, durante o contexto contemporâneo, a realidade brasileira se revela antagônica à tal reflexão, ocasionando na evasão de uma considerável parcela de cientistas para o exterior. A fuga, anteriormente citada, ocorre em razão da falta de investimento estatal e as regulamentações burocráticas governamentais, que retardam a conclusão das pesquisas. Logo, tal conjuntura requer um diferente posicionamento para combatê-la.

Em primeira análise, a omissão do Governo em investir no âmbito cientifico e tecnológico está acarretando, em peso, a emigração dos pesquisadores do Brasil. De acordo com o IBGE, as verbas destinadas a esse setor não ultrapassam 1,2% do PIB nacional, enquanto a média de gastos entre os PIBs dos países desenvolvidos é 2,7%. Tal discrepância é  imediatamente refletida no cotidiano dos cientistas.  Como no caso de Suzana Herculano-Houzel, neurocientista renomada, a qual teve de financiar o próprio laboratório. O que evidência a má distribuição da renda do país para com esse ramo.

Outrossim, a burocracia dos encarregados, que buscam financiar os projetos, valida as justificativas da dispersão da comunidade científica. Essa adversidade encontra-se, exemplificada, na “Lei de Licitações” cujo objetivo de evitar despesas indevidas provoca o engessamento do progresso científico, a falta de estrutura das instituições de pesquisa e materiais sem qualidade em desempenhar a própria função. Esses são os principais pretextos para que 22549 indivíduos qualificados declarem saída permanente do país, segundo a Receita Federal. Por conseguinte, tal condição requisita uma postura adequada das organelas políticas.

Portanto, com o objetivo de reagir ao quadro controverso supracitado, cabe ao Estado distribuir maiores recursos, por meio do PIB, às instituições de pesquisas, visando uma melhor infraestrutura para os cientistas. Também vale salientar o papel do CNPq para reformular a “Lei de Licitações”, por intermédio do Ministério da Ciência, objetivando a redução da burocracia em financiar os projetos dos pesquisadores brasileiros. Dessa forma, a fuga de cérebros no país não ocorrerá em virtude da ampliação do investimento, o qual constituirá a prosperidade da ciência nacional.