Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 29/05/2020
O positivismo de Augusto Comte influenciou o lema da bandeira brasileira “Ordem e Progresso”. No entanto, tal status não condiz com a realidade do país, visto que a fuga de cérebros, ou seja, de cientistas altamente qualificados, tem aumentado demasiadamente nos últimos anos. Isso pode ser explicado pela negligência governamental para investir em ciência e pela baixa valorização do profissional no mercado de trabalho. É urgente, portanto, a necessidade de combate à esses desafios que interferem negativamente no desenvolvimento do Brasil.
Em primeira análise, é válido mencionar a carência de investimentos públicos em áreas de pesquisa científica. Com isso, estas áreas não conseguem se desenvolver bem, dificultando que os pesquisadores exerçam a própria profissão. Sob a perspectiva do economista Arthur Lewis, a educação não é despesa, mas sim um investimento com retorno garantido, e o problema é o governo brasileiro não enxergar isso. Deste modo, os cientistas buscam por esses investimentos em outros países, para que possam executar devidamente seus trabalhos.
Paralelo a isso, outro grande empecilho é a desvalorização desses profissionais quando inseridos no mercado de trabalho. Além de ser pouca a quantidade de empresas no Brasil que ofereçam emprego aos pesquisadores, a remuneração costuma ser baixa, tornando o trabalho desvantajoso. Segundo Mahatma Gandhi, cada um deve ser a mudança que deseja ver, e é exatamente isso que esses “cérebros” fazem: buscam mudar suas realidades ao ir atrás de melhores empregos, que acabam por estar em outros países. Logo, o número de profissionais brasileiros que deixam o país cresce cada vez mais.
Fica claro, portanto, que é essencial lutar pelo fim desses obstáculos que contribuem para a crescente fuga de cérebros no Brasil. Diante disso, cabe ao Governo Federal aumentar os investimentos financeiros em universidades públicas e instituições de pesquisas por meio da criação de projetos científicos que sejam remunerados. Essa medida deve ser implementada, por exemplo, como foco nos âmbitos biológicos e astronômicos, a fim de assegurar a permanência dos cientistas no país. Sendo assim, será possível aprimorar o desenvolvimento brasileiro, honrando então com o lema da bandeira que defende o progresso.