Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 31/05/2020

Uma potencial perda de talentos em curso, por conta da busca de melhores condições de trabalhos no exterior. A saída de pessoas com alto nível educacional de países pobres para ricos é um fenômeno bem documentado na literatura acadêmica de economia, trata-se da chamada “fuga de cérebros”. Infelizmente essa oportunidade não é para todos, em países desenvolvidos aceitam imigrantes de alto nível educacional, mas colocam grandes barreiras para pessoas com o nível educacional mais inferior. As pessoas desqualificadas tendem a ser mais pobres, além disso tem um grande custo considerável em migrar, por conta do valor da passagem e a instalação no novo país, e além de tudo tem barreiras com a linguagem, o que torna essa opção mais cara. Evidentemente isso gera um efeito ruim, pois o país perde trabalhadores e junto com isso a economia vai diminuindo Mas há também um lado positivo, que dentre essas pessoas que se mudam para o exterior, eles podem estabelecer uma rede de contatos que ajudaria outros profissionais que estão em seu país de origem.

O microbiólogo brasileiro Bruno Martorelli Di Genova se mudou há quase quatro anos para Madison, capital do estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Como pesquisador associado da Universidade de Wisconsin, Bruno  não pretende voltar ao Brasil.“Em 2015, eu e um outro colega da Unifesp decidimos que não havia mais como ficar no país. Estava claro que os recursos para pesquisa iam cair, o que de fato aconteceu depois. Quando eu vim para os Estados Unidos, tinha em mente que seria sem retorno”, explica Bruno. “Nunca fiz uma única entrevista de emprego no Brasil. A indústria não se interessa por nós, somos considerados profissionais caros. Você passa anos da sua vida numa faculdade e não tem nenhuma opção de trabalho. é muito frustrante”. Além das questões que dificultam a permanência de pesquisadores no Brasil, o fato de eles serem tão solicitados no exterior indica que as universidades, especialmente as públicas, cumprem seu papel de formação. “Eu tenho um treinamento fantástico, acredito que tudo o que eu aprendi lá é completamente relevante, tive excelentes supervisores. Muitas pessoas do laboratório em que eu trabalhava estão nos Estados Unidos hoje”, afirma Bruno Martorelli. “O brasileiro é tão ou mais preparado que qualquer pesquisador norte-americano”. Ou seja: com algumas mudanças estruturais, seria possível aproveitar no Brasil esses pesquisadores, que são bem formados no ensino superior nacional.