Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 31/05/2020

Cresce o número de pesquisadores que migram em busca de melhores oportunidades. Cortes em bolsas na ciência são recorrentes na gestão do Brasil dos últimos anos. A desvalorização de pesquisas afeta cada vez mais profissionais. Esse é um retrato da área científica do país. Assim sendo, o combate à fuga de cérebros é imprescindível para a sociedade. No entanto, dois são os empecilhos: desvalorização da ciência e negligência estatal.

Em primeiro lugar, é possível constatar que o fenômeno da diáspora de cérebros no Brasil é responsável por diversas consequências negativas para o país, ao passo que, a perda de profissionais capacitados é um prejuízo para o desenvolvimento tecnológico, científico e cultural da nação. Segundo registros do Centro Integrado de Inteligência Comando e Controle, entre 2013 e 2014, o coeficiente de importação da produção de alta e média-alta intensidade tecnológica apresentou aumento bastante superior à média geral da indústria de transformação: de 26,3% para 38,7%. Logo, conclui-se que prevalece a importação de tecnologia de ponta, a exportação de matéria-prima, e, diante disso, a aplicação de investimentos destinados à produção de tecnologia nacional não ocorre. Nesse sentido, essa situação precisa ser alterada.

Em segundo lugar, constata-se que a negligência estatal é a principal responsável pela fuga de cérebros no Brasil. Conforme dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, apenas 0,2% da população brasileira possui doutorado, enquanto a média dos outros países pertencentes à organização é de 1,1%. Além disso, de acordo com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, 35% das pessoas que possuem mestrado estão desempregadas. Assim, os cortes em bolsas de pós-graduação e pesquisas realizados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), somados a falta de regulamentação da profissão de cientista no país, extremamente desvalorizada e necessitada de recursos, justificam tais números. Nessa perspectiva, esse quadro precisa ser revertido.

Portanto, urge que o combate à fuga de cérebros seja garantido na pratica efetiva. Cabe ao Ministério da Educação essa função, por intermédio da destinação de maiores investimentos a universidades e centros de pesquisas, essenciais ao desenvolvimento do país; com o auxílio do CAPES para o encerramento dos cortes de bolsas, criação de novas vagas para bolsistas e de programas destinados a auxiliar pós-graduados na procura de empregos. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem amenizar os impactos causados pela diáspora de cérebros no país.