Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 31/05/2020
“Gigante pela própria natureza, és belo, és forte impávido colosso e o teu futuro espelha essa grandeza, terra adorada, entre outras mil, és tu Brasil, ó Pátria amada…”. Joaquim Osório Estrada, escritor do hino brasileiro, em 1831, profetizou a grandeza da nação por causa das imponentes belezas naturais. Entretanto, ao contrário disso, após decorridos 189 anos, no que se refere à ciência, vê-se um país “anão” e pouquíssimo estimado pela sua comunidade científica. Isso se deve ao baixo investimento nas universidades e à ineficiente gestão do conhecimento, evidenciado pelos cortes maciços nas bolsas de pesquisadores e desativação de projetos de pesquisa. Esses são fatores que distanciam o Estado da vanguarda inovativa e provoca o êxodo dos seus mais proeminentes cientistas.
As Universidades Federais passam por um processo de sucateamento, sobretudo em relação à pesquisa. Em 2019, o MEC reduziu 30% do orçamento geral dessas instituições, gerando fechamento de laboratórios, inativação de projetos de pesquisa, diminuição no quadro de pesquisadores e redução do investimento em novos equipamentos e nas obras de expansão e manutenção. Essa realidade causou indignação na comunidade científica que, cada vez mais, é atraída pelos institutos de inovação estrangeiros, que priorizam a educação, remuneram bem os pesquisadores, investem maciçamente na pesquisa e praticam uma “ciência sem fronteira”. Em contrapartida, aqui no País Tupiniquim se desenvolve uma “ciência com fronteira” marcada pela estagnação e retrocesso.
Ademais, em março de 2020, a folha de São Paulo noticiou outra ação que estimulou fortemente a fuga de cérebros do País: A CAPES cortou 20% das bolsas de pesquisas em programas de stritu sensu de centros de excelência, como a USP e UNICAMP, podendo tal redução atingir o percentual de 50% em programas de menor expressão. Destarte, com o enfraquecimento provocado pelo diminuto investimento na pesquisa não é possível ver viabilidade na concretização da sentença do otimista Joaquim Osório, pois a imagem do Brasil refletida no espelho da ciência é de um “anão” que trabalha para dotá-la de nanismo, distanciando o País do caminho da prosperidade científica.
Portanto, torna-se necessário que o Governo Federal, por intermédio do MEC, crie uma política nacional de financiamento para Universidades Federais, por decreto, com a finalidade de garantir-lhes recursos certos e crescentes para o desenvolvimento da pesquisa. Além disso, deve-se investir no fortalecimento do “Vale do Silício brasileiro”, fomentar a criação de novos polos inovativos, viabilizar a implementação dos seus inventos no cotidiano das pessoas e remunerar bem os pesquisadores. Dessa forma, criar-se-á um ambiente fértil para se praticar de maneira sustentável a pesquisa, engajando os pesquisadores, evitando a fuga dos cérebros e tornando o Brasil, de fato, gigante pela própria natureza.