Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 31/05/2020

Já faz alguns anos que a fuga dos cérebros preocupa o Brasil, cada vez mais esse processo se intensifica. Muitos cientistas de destaque estão saindo do Brasil, seu país de origem, para ir trabalhar no exterior, principalmente nos Estados Unidos, alegando que o nosso país não oferece tanto suporte, financiamento e conhecimento para esses profissionais.

O microbiólogo brasileiro Bruno Martorelli Di Genova, Doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), se mudou há quase quatro anos para Madison, capital do estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, para trabalhar como pesquisador associado da Universidade de Wisconsin. “Em 2015, eu e um outro colega da Unifesp decidimos que não havia mais como ficar no país. Estava claro que os recursos para pesquisa iam cair, o que de fato aconteceu depois’’. Alguns profissionais da área precisam tirar dinheiro do próprio bolso para que os laboratórios continuem funcionando.

Dayson Friaça Moreira cursou mestrado e doutorado no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). Hoje vive na Califórnia, onde trabalha desenvolvendo técnicas de imunoterapia para tumores, mostra outro motivo para a fuga dos cérebros. “Nos Estados Unidos, o cientista é muito valorizado e respeitado, o que em geral não acontece no Brasil. Quando estava fazendo meu doutorado no Brasil, tive que ouvir muito a frase ‘você só estuda, não trabalha”. Bruno Martorelli, tem o pensamento parecido. “No Brasil, temos uma grande parcela da população que não acredita que financiamento em ciência seja algo positivo. A opinião pública do Brasil tende a desconfiar da ciência”.

Existem muitos outros cientistas tomando essa decisão como uma das mais conhecidas neurocientistas do mundo, Suzana Herculano-Houzel, que teve o seu artigo publicado na revista Science, tirando dinheiro do próprio bolso para concluir a pesquisa. Assim que a pesquisa saiu a Universidade Vanderbilt fez uma proposta a Suzana, que conta, “Como a essa altura fazer ciência no Brasil já era claramente inviável e os únicos sinais eram de que a decadência só se acentuaria dali em diante, aceitar a proposta de vir para os Estados Unidos foi uma decisão facílima”.

O desafio de várias nações, assim como no Brasil, é manter os profissionais dessa área em seus países, impedindo a “fuga dos cérebros”, o que prejudica o desenvolvimento das nações que não conseguem dar o apoio financeiro aos cientistas por serem em sua maioria países subdesenvolvidos com poucos recursos para esse trabalho. Diferente dos Estados Unidos que tem muito mais recursos que o Brasil e fica praticamente impossível de competir.