Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 28/11/2020

A fuga de cérebros é, por definição, a emigração em massa de indivíduos possuidores de alto grau de conhecimento tecnocientífico, geralmente motivada por um cenário político-econômico desfavorável em seu país de origem. Nesse contexto, analisando o Brasil atual, é perceptível que a ausência de investimentos no setor tecnológico, a extrema burocracia laboratorial e, por consequência, a falta de oportunidades de emprego , resultam na fuga de capital humano, o que impossibilita, por sua vez, o desenvolvimento de inovações tecnológicas em território nacional.

É válido analisar, em primeiro plano, as entraves que a iniciativa científica sofre em terras tupiniquins. Essa problemática já se estabelece, primordialmente, com os cortes governamentais na educação, já que os institutos federais — os quais dependem exclusivamente da verba do Estado para regulação — são os principais responsáveis pela formação acadêmica de futuros pesquisadores e pela produção de ciência. No final do mês de abril, o governo aprovou um congelamento de R$ 1,7 bilhões de reais, os quais eram utilizados para a manutenção das universidades públicas, segundo uma matéria do G1. À vista disso, é nítido que, pela ausência de fundo e estrutura, a qualidade das pesquisas também é afetada; os equipamentos defasados não são suficientes para uma produção científica complexa, e o fato do Brasil não ser produtor de tecnologia, mas sim importador, obriga seus cientistas a ficarem à mercê de material vindo do exterior, que muitas vezes, pela extrema burocracia de órgãos como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), demoram a ser liberados e utilizados.

Ademais, tal realidade frustrante transcende o ambiente universitário, instaurando-se na busca por empregos que detenham remuneração condizente à formação acadêmica, geralmente extensa, desses profissionais. De forma análoga à escassez de investimento em ciência nacional, indivíduos graduados nessas áreas pouco valorizadas quase sempre procuram maiores níveis de especialização, na esperança de ascender socialmente. Contudo, essa corrida frenética por títulos gera uma dificuldade de absorção dessa mão de obra extremamente qualificada e, consequentemente, custosa pelo mercado. Sob essa ótica, uma pesquisa do CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) aponta que a taxa de desemprego entre os doutores chega a 25% e entre os mestres é mais crítico, 35%.

Portando, de acordo com os fatos citados, fazem-se necessárias políticas que possam evitar esse êxodo intelectual. Logo, acabe ao Estado maior atenção a área tecnológica, apoiando pesquisadores através do investimento nas instituições públicas, assim lhe oferecendo uma graduação de qualidade, os equipamentos e suporte para a produção de ciência, o que evita a dependência externa. Outrossim, é preciso abrir vagas de concursos públicos para esse setor, incentivando a contratação por empresas.