Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 14/06/2020
No âmbito da contemporaneidade brasileira, devido a desvalorização da pesquisa científica e da displicência governamental com a Educação, a imigração de mão de obra especializada, “Fuga de Cérebros”, torna-se um desafio ao país, na perspectiva de o Estado, indiretamente, interferir na qualidade de vida dos cidadãos ao não cumprir seu papel de provedor. Assim, o silenciamento da produção científica nacional estimula a imigração de mão de obra especializada ao não prover as condições necessárias para seu desenvolvimento.
O desenvolvimento de pesquisas acadêmicas, criação de programas universitários inovadores e empreendedores, bem como a produção de ciência são consequências de investimentos maciços em capacitação de mão de obra. No entanto, de acordo com o artigo Conexão, boletim informativo da UFRJ, a carestia de verbas federais prejudica a geração tecnológica e, consequentemente, a soberania nacional, já que tal desvalorização representa um atraso do Brasil diante do cenário mundial competitivo. Em decorrência do descaso do Poder Público, a escassez de financiamentos em projetos gera ainda mais obstáculos na trajetória de cientistas, os quais buscam auxílio de países comprometidos com a Ciência. Em suma, nota-se o subdesenvolvimentismo brasileiro.
Além disso, vale ressaltar que a formação de pesquisadores de destaque e da capacitação altamente especializada encontra sua gênese na educação básica eficiente, a qual retira os alunos de um estágio passivo e os estimula a intervir no meio que os cerca. Em contrapartida, o Estado brasileiro precariza ainda mais o sistema educacional adotado ao reduzir a cada ano o teto de investimentos no setor; de acordo com o portal de notícias G1, 90% das universidades federais tiveram perda real no orçamento em cinco anos. Logo, a Fuga de Cérebros possui raízes aprofundadas na falha esquematização da educação e aprofunda as crônicas desigualdades sociais.
Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deverá subsidiar projetos acadêmicos em todas as Universidades Federais, bem como garantir o auxílio financeiro aos pesquisadores com bolsas estudantis justas, com o objetivo de criar um prestígio internacional do país e de seus profissionais, e reduzir, por conseguinte, a Fuga de Cérebros. Em concomitância, o Ministério da Educação deverá criar reformas de base no sistema atual, de modo a garantir a infraestrutura física das escolas com laboratórios de ciências, espaços para o desenvolvimento de atividades educacionais, materiais didáticos de qualidade e bibliotecas de grande arcabouço literário. Tais intervenções deverão ser efetuadas com instituições privadas da área científica, com estímulo à realização de cursos técnicos e afins, com o objetivo de suprir as carências da Educação do Brasil e alicerçar futuros cientistas.