Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 29/06/2020

O êxodo de intelectuais da Alemanha Nazista para países como Estados Unidos e Inglaterra na década de 1930 marcou o período pré-Segunda Guerra e gerou consequências profundas na nação. No Brasil, a fuga de capital humano, como também é chamado, é um fenômeno similar, mas que é causado principalmente pela falta de investimentos em pesquisas científicas, assim como a visão retrógrada da sociedade de que a inovação não é necessária para o avanço do país.

Primeiramente, a escassez de financiamentos para estudos encoraja pesquisadores a abandonar o território. Segundo o economista holandês Jan Tinbergen, “O trabalho qualificado implica de certo modo um elemento de capital, pois a educação e a formação exigem recursos.” Em virtude disso, é inconcebível que se espere manter mentes brilhantes em um país que não incentive suas inovações, assim como não as remunere à altura.

Ademais, a noção popular de que o Brasil não precisa destinar fundos à tecnologias para abrir espaço à industrialização é falha. De acordo com o levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 14 dos 24 segmentos do setor industrial estão tecnologicamente defasados. Esses dados são preocupantes especialmente caso se mantenham em longo prazo, dado que as consequências do pensamento exposto serão manifestadas na forma de uma economia obsoleta e ultrapassada.

Portanto, a evasão de indivíduos com altas aptidões técnicas é grave. Para que os empasses expostos sejam resolvidos, se torna imprescindível a criação de mais programas governamentais de auxílio à pesquisas tecnológicas, assim como campanhas de conscientização sobre a importância dessas para a sociedade, realizadas pelo ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), por meio do aumento de editais de fomento à pesquisa e bolsas de iniciação científica, tal como propagandas em jornais e televisão, visando não só a conservação de cérebros em território nacional, mas a multiplicação deles.