Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 12/06/2020

De acordo com a declaração sobre a ciência e o uso do conhecimento científico redigida pela UNESCO, hoje, mais do que nunca, a ciência e suas aplicações são indispensáveis para o desenvolvimento de uma nação. Entretanto, o Brasil enfrenta grandes desafios para garantir esse progresso, desencadeando a fuga de profissionais para países que garantem a manutenção de suas pesquisas. Essa realidade pode ser comprovada pela falta de infraestrutura e financiamento, bem como o pouco incentivo para o surgimento do desejo por pesquisa nos jovens estudantes.

A principio, faz-se importante destacar que o país sofre com a falta de infraestrutura nas Universidades, que reflete o financiamento inadequado por parte do Governo. Sobre isso, torna-se válido ressaltar que a Constituição federal de 1988 descreve a Educação como dever do Estado, portanto, o aporte financeiro está incluído na lei, uma vez que não há como garantir educação de qualidade sem investimento. Para tanto, projetos de bolsas pelo CNPQ são essenciais, mas o apoio deve ir além delas: é necessário que as instituições de pesquisa disponham de laboratórios equipados, material e, que seus profissionais sejam bem remunerados. Com isso, será possível reduzir o número de cérebros que emigram para países que oferecem melhores condições de desenvolvimento e pesquisas, gerando desenvolvimento tecnológico para o Brasil.

Ademais, percebe-se o baixo, ou inexistente, incentivo aos jovens estudantes desde os anos iniciais para que se tornem futuros pesquisadores. Nessa perspectiva, o geógrafo Milton Santos lembra que o mundo está inserido em um meio técnico-científico-informacional. Dessa forma, há maior inserção das ciências e do meio informacional sobre as formas que as produções espaciais ocorrem, e , portanto, nas relações dos sujeitos. Sendo assim, o acesso equitativo e precoce a pesquisas torna-se de importância ímpar para a realização do pleno desenvolvimento humano e de comunidades científicas. Além disso, deve-se lembrar que tal acesso contribui para redução das desigualdades, permitindo que os jovens deixem de ser excluídos da criação e dos benefícios do conhecimento científico.

Infere-se, portanto, que a fuga de cérebros no Brasil torna-se um problema que precisa ser combatido. Para isso, é essencial que o Governo, por meio do Ministério da Educação, aumente o incentivo para manutenção desses profissionais no país, por meio do incremento no financiamento de pesquisas, bem como na garantia de laboratórios e materiais de qualidade. Além disso, deve-se implementar a disciplina de Educação Científica na Base Nacional Comum Curricular, visando estimular os estudantes ao conhecimento dessa área ainda na fase escolar e dos seus benefícios para a redução das desigualdades. Com isso, será possível aumentar a contribuição científica para o país.