Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 06/06/2020
Na série de televisão “The Big Bang Theory”, os personagens principais destacam-se por possuírem doutorado, ou mestrado. Tal situação, reflete a necessidade de exaltar a ciência e o conhecimento em qualquer sociedade. Porém, no Brasil tem acontecido o contrário e a evasão de pesquisadores de seu território é uma realidade nos dias atuais. Dentre os desafios que prejudicam o combate à fuga de cérebros brasileiros, estão a decrescente falta de investimento na ciência nacional e o desinteresse coletivo da sociedade no que diz respeito ao conhecimento científico.
Primeiramente, observa-se que um dos desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil é a falta de investimento na ciência nacional. Segundo a National Science Foundation (NSF), o Brasil é o décimo primeiro país no mundo inteiro em quantidade de publicações científicas. Aliado a isso, o Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) sofreu um corte de 30% em verba disponível em 2020. Isso mostra a precariedade de investimentos para com a comunidade científica brasileira, que com poucos recursos não consegue trabalhar de forma adequada ou apropriada. Consequentemente, a falta de disponibilidade financeira prejudica as pesquisas, a formação profissional, os meios de pesquisa e os resultados obtidos, o que diminui em suma as contribuições.
Além disso, outro desafio no combate à fuga cerebral brasileira é o desinteresse coletivo da sociedade no tocante a ciência e suas atribuições. De acordo com a Pesquisa Percepção Pública da Ciência e Tecnologia, 35% dos brasileiros têm pouco interesse em ciência e 23%, não tem nenhum. Isso mostra que a população não procura se informar, muito menos adquirir conhecimento a partir da ciência. Sem o interesse incutido ou estimulado, a maioria dos cidadãos busca apenas, ou muito pouco, o diploma superior sem maiores especializações, como uma pós graduação, um mestrado ou um doutorado. Infelizmente, esse desinteresse acaba trazendo efeitos futuros, visto que muitas pessoas não buscam conhecimento ou formação acadêmica e a longo prazo e cada vez menos terão interesse, ou vontade de produzir ciência em território brasileiro.
Portanto, medidas que atuem no combate aos desafios citados fazem-se necessárias. O Governo Federal deverá aumentar progressivamente os investimentos para com a ciência no Brasil, destinando verba pública proveniente de arrecadações à programas de incentivo científico que busquem formar profissionais cada vez mais qualificados e focados à pesquisa científica. Além disso, deverá com a ajuda da mídia e do Ministério da Educação, incentivar os cidadãos a ter mais interesse na ciência, criando material educativo sobre projetos científicos e o veiculando em escolas e locais públicos. Dessa forma, existirão mais mestres e doutores no Brasil sem que seja necessário sair do país.