Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/06/2020
A fuga de cérebros no Brasil é um fenômeno bastante recorrente nos dias atuais. Após a Terceira Revolução Industrial, foi possível conectar pessoas de diferentes lados do mundo, o que facilitou o reconhecimento de talentos e as ofertas para migração, visto que a maioria dos países possui melhores ofertas e condições de recursos. Nesse sentido, torna-se válido analisar as consequências e os impasses no combate desse problema.
De início, é importante compreender que criou-se um conceito de que os brasileiros que possuem condições financeiras favoráveis devem sair para outros países em busca de uma melhor qualidade de vida, já que, com as atuais taxas de violência, mortalidade infantil ou de educação e saúde pública, existem vários outros países, como a Suíça, que podem oferecer maiores chances de prosperar. Os brasileiros estão entre as 50 principais nacionalidades que emigram para outros países, de acordo com um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que comprova o alto índice de migração de pessoas qualificadas e com capital, gerando fuga de cérebros e de capital brasileiro. Ademais, segundo o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor, ‘‘O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados”, o que evidência a atual situação precária e enorme falta de recursos nos setores de tecnologia e ciência, gerando altos índices de migração de médicos, cientistas ou gênios da tecnologia para outros países.
Em segunda instância, analisando o slogan da ditadura militar, ”Brasil, ame ou deixe-o”, percebe-se que ele volta a fazer sentido no atual cenário de instabilidade política e com viés militar, o que desperta o medo daqueles que temem a volta da ditadura, da extrema violência com mulheres ou homossexuais e da falta de oportunidades, gerando altos índices de imigração e o desenraizamento forçado de caráter econômico e, sobretudo, psicológico, que causa um profundo sofrimento. Dessa maneira, pessoas de todas as classes sociais estão deixando o Brasil em busca de oportunidades no exterior tanto por motivos profissionais, como o investimento na carreira, quanto por temerem as consequências de perseguição política e por orientação sexual, como ocorrido nos anos 70.
Destarte, é imprescíndivel a busca de uma solução para combater o problema. Para isso, o Governo Federal deve promover um maior investimento nas pesquisas realizadas nas universidades, a partir do redirecionamento de impostos, a fim de promover um maior incentivo e suporte aqueles que desejam desenvolver seus talentos, que, muitas vezes, não possuem capacidade de conduzir financeiramente seus estudos. Desse modo, será possível não só combater a fuga de cérebros, mas também avançar no patamar científico do país, o que irá ajudar no seu desenvolvimento, progresso e inovação.