Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/06/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”, o trecho do poema de Drummond estabelece uma relação semelhante a situação do Brasil no que diz respeito à ciência. As problemáticas, como a escassez de investimento governamental e a falta de apoio da sociedade dificultam as inovações científicas brasileiras, e ainda incitam o brain drain, expressão inglesa que significa a migração de cientistas de um país para exercer sua função em instituições estrangeiras.

Primeiramente, vale ressaltar que Suzana Herculano-Houzel, uma das cientistas brasileiras mais renomada mundialmente, afirmou que já precisou tirar dinheiro do próprio bolso para bancar suas pesquisas. Diante disso, é indubitável o descaso do governo brasileiro no oferecimento de recursos para estudos científicos. Sendo assim, diversos pesquisadores, consequentemente, acabam deixando o país para trabalhar no exterior.

Além disso, muitos cidadãos brasileiros tratam cientistas indiferentemente, pois creem que o conhecimento científico não é necessário. Porém, tal esteriótipo é totalmente inválido, visto que sem ciência de ponta não é plausível sair de uma crise. Dessa forma, é possível perceber os desafios enfrentados pelos pesquisadores e o que os levam a buscar oportunidades laborais melhores e a aprovação social em outras nações.

Portanto, urge que o Governo Federal juntamente com o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP), tornem obrigatório a existência de fontes de dados sistemáticos, a partir de regulamentos para que assim seja provável entender as trajetórias de migração, as motivações e os locais de inserção dos emigrantes. Ademais, ainda é preciso que o Governo Federal amplie seus investimentos nos âmbitos de pesquisas e que a população do país apoie os cientistas a fim de que haja a mitigação da fuga de cérebros no Brasil.