Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 07/06/2020

No início da pandemia do Covid-19, duas pesquisadoras brasileiras - Jaqueline de Jesus e Ester Sal-

bino - sequenciaram o genoma do vírus que assolava cidades pelo mundo. A descoberta científica des-

sas profissionais colaborou fortemente para avanços no tratamento da doença, além de destacar o Bra-

sil como potência na área de pesquisa. Porém, a realidade que esta classe vive, em seu país, distancia-se de holofotes referentes a projetos conquistados, pois sofrem com a falta de incentivo público e de investimentos financeiros, além de terem sua importância, em inovações, desconhecida pela sociedade.

Nesse contexto, o Profissão Repórter - programa brasileiro de televisão - exibiu uma reportagem a respeito das dificuldades vividas pelos pesquisadores, as quais incluíam a falta de dinheiro para dar continuidade a seus estudos e a ausência de remuneração pelo seu trabalho. Nesta perspectiva financeira, muitos dessa massa científica buscam por uma segunda profissão, para que possam unir rendas e pagar suas contas, além de, praticamente, financiar projetos que deveriam contar, apenas, com a verba do governo federal. Em outros casos, aqueles que não conseguem se manter firmes nessa luta abandonam a classe de “heróis da ciência” no Brasil, para tentar, lá fora, uma vida mais estável, monetariamente e psicologicamente - afinal, é uma situação deprimente não poder realizar, com sucesso e tranquilidade, o ofício ao qual se dedicam.

Ademais, há um ditado que diz: quem não é visto não é lembrado. Dentro dessa visão, faz-se uma analogia ao fato de que grande parte da sociedade brasileira desconhece a existência ou a função da área de pesquisa, não podendo, então, incentivar ou agradecê-la. Com isso, as pessoas conhecem e torcem por alguns avanços - como vacinas e tratamentos de câncer - mas não fazem ideia do caminho que se percorre para chegar a tais objetivos, muito menos de quem está, por trás destes, trabalhando arduamente. Essa falta de aproximação, entre os que pesquisam e os que recebem os benefícios de tal atividade, enfraquece a luta por melhorias, pois há a ausência do apoio e voz populares. Devido a essa cultura de ignorância brasileira a respeito da ciência, pesquisadores enxergam, no exterior, oportunidades de receberem a importância e a visibilidade devidas.

Portanto, faz-se necessário, que o MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Informação e Comunicação - proponha, junto ao Poder Legislativo, reformas nas leis que regem os direitos da classe pesquisadora, com os objetivos de aumentar a distribuição de renda federal e estadual aos centros de pesquisa das faculdades públicas do país. Além disso, devem regulamentar os direitos trabalhistas desses profissionais, determinando uma renda mensal equivalente a sua contribuição. Com isso, a diáspora de gênios brasileiros diminuirá, pois sentirão segurança em explorar a ciência no seu país.