Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 12/06/2020
Na obra, Morte e Vida Severina, do renomado escritor João Cabral de Melo Neto, retrata a saga de Severino que sai do sertão de Pernambuco em busca de melhores condições de vida na capital, Recife. Nesse contexto, saindo da literatura e observando o contexto contemporâneo brasileiro, quando se reflete a respeito dos desafios para combater a fuga de cérebros no Brasil, nota-se que, assim como na obra literária, vários Severinos estão indo embora do país em busca de condições melhores para realizar seus estudos. Isso ocorre devido à desvalorização dada à educação pelo Estado e à valorização destinada aos pesquisadores pelos grandes centros de estudos no exterior.
Em primeira análise, infelizmente, a educação não é uma prioridade no Brasil. Sob esse prisma, a falta de manutenção e investimentos em tecnologia nos centros de pesquisas das universidades públicas, dificultam, significativamente as condições de trabalho dos cientistas. Segundo o renomado educador Paulo Freire, a educação é a ferramenta mais eficiente para melhorar a qualidade de vida da população. Nesse sentido, a falta de condições básicas para se fazer ciência no país, faz com que os pesquisadores busquem outros centros científicos, mais estruturados, fora do país. Desse modo, as pesquisas que poderiam beneficiar, primeiramente, os brasileiros são contempladas por outras nações.
Em segunda análise, as grandes universidades espalhadas pelo mundo captam os grandes notáveis do país, pois oferecem além de uma estrutura exemplar para os pesquisadores- onde eles podem desenvolver seus estudos com o melhor aparato tecnológico e científico- bolsas de estudos que, diferente do Brasil, dão condições aos cientistas se dedicarem exclusivamente às pesquisas sem ter que, por exemplo, se preocupar em complementar a sua renda mensal. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, um doutorando em Recursos Humanos recebe uma bolsa de estudos no valor um pouco maior que dois salários mínimos. Logo, com esses dados, fica claro que não há dificuldades para outras nações em retirar os cérebros brasileiros e repatriá-los
Portanto, medidas para frear essa fuga de notáveis devem ser tomadas. Nessa lógica, Cabe ao Ministério da Educação em Parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, aportar recursos para os Centros de Pesquisas das Universidades públicas do país, por meio de parcerias público privadas, de maneira que as empresas privadas invistam na modernização do aparato estrutural e tecnológico, assim como financiem, junto ao Governo Federal, o aumento das bolsas de pesquisas, com o objetivo de torná-las mais atrativas e, também, equipará-las às oferecidas pelo mercado global. Somente assim, o país não perderá outros Severinos por falta de condições sócio-estruturais, como o sertão pernambucano perdeu para a capital, na obra de João Cabral de Melo Neto.