Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/06/2020

A ciência, a pesquisa e a inovação são pilares para o crescimento de um país que enxerga o futuro a partir de uma educação séria, igual e construtora do bem comum. No entanto, pesquisar em ambiente que concebe o conhecimento científico de maneira pífia é o principal motivo para a saída em massa dos novos pesquisadores que lutam por reconhecimento e valorização. Nesse ínterim, é valido entender o papel da ciência ante à população e o motivo de tanta migração de mentes brilhantes para outros países.

De início, cabe pontuar o valoroso papel do conhecimento e da pesquisa científica na construção de uma sociedade igual, esclarecida e crítica como bases do fazer democrático. Nessa perspectiva, a ciência e os cientistas fomentam a construção do conhecimento e constituem importantes bases para o desenvolvimento econômico, político e sociocultural da população como uma espécie de atualização constante da Semana de arte Moderna ao legitimar a descoberta como uma alavanca para a soberania nacional. Nessa perspectiva, a identidade e a valorização são grandes demandas em um país que ainda entende os laboratórios como ônus e ainda vê os pesquisadores como usurpadores de visões idealistas e medíocres.

No entanto, o ser cientista em um país que não concebe educação como principal chave para a soberania gera sérias consequências e, com isso não é díspar encontrarmos uma leva de novas mentes brilhantes que, cansadas de reivindicarem por incentivos e valorização, buscam em outros países uma vida profissional mais profícua. Desse modo, contrário ao que pensava Oswaldo Cruz no tocante ao fazer científico, o investimento feito pelas universidades brasileiras gerará ônus a outras nações que tão somente abrem as portas para uma mão-de-obra promissora e criativa. O Brasil, dessa forma, constrói diplomados para mercados externos.

A ciência é, por conseguinte, a propulsora de qualquer mudança e, valorizá-la é a maneira mais eficaz para o crescimento do país. Nesse   viés, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia a criação de programas de incentivo à pesquisa que construam no pesquisador um laço com a sociedade que o cerca por meio de bolsas de estudos atreladas à pesquisa in loco. Desse modo, o cidadão conheceria o trabalho do cientista e passaria a ser mais um a exigir do governo melhores investimentos na área. Assim, teríamos as mentes brilhantes dentro da nossa nação como bem pregava os intelectuais de 1922 e como propunha Oswaldo Cruz em sua busca incessante pela pesquisa.