Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/06/2020
Na Antiguidade Clássica, os pré-socráticos, aqueles que buscavam o elemento fundamental da vida, eram muito valorizados na pólis pelos seus conhecimentos e métodos de fazerem ciência. Entretanto, atualmente, no Brasil, há uma taxa de emigração de cientistas, visto que há uma negligência por parte do Estado e uma falta de apoio da população.
A priori, a função estatal deve ser a de garantir que os cidadãos consigam ter seus recursos assegurados, pois, para o filósofo contratualista Tomas Hobbes, o Estado deve garantir o bem-estar social. Sob essas perspectiva do pensador, os órgãos políticos administrativos devem atentar para que haja um investimento no campo científico que vise uma melhor estruturação nos setores de pesquisas brasileiras. O que acontece, entretanto, é a negligência por parte dos governos quanto a aplicação das verbas que devem ser destinadas para essa finalidade, o que causa a elevação na emigração de cientistas para outros países que investem melhor suas rendas em desenvolvimento científico.
Ademais, há uma falta de apoio populacional, visto que há um baixo incentivo no período de educação básica, deixando o aluno sem o conhecimento amplo, o que contraria o pedagogo Paulo Freire, quando disse que a educação deve ser voltada para que haja a compreensão de todos os âmbitos sociais. Sob essa ótica, percebe-se que esses indivíduos valorizam o campo científico menos que deveriam, o que favorece a fuga de cérebros no Brasil. Isso contribui também para que a área seja menos valorizada e os cientistas ficam sem oportunidade de trabalho, o que é mostrada pelo CGEE - Centro de Gestão e Estudos Estratégicos - revelando que 35% das pessoas que têm mestrado estão desempregadas, o que mostra a falta de ações que mudem esse quadro.
Entende-se, portanto, os motivos para a saída de profissionais que trabalham em campos intelectuais. Urge, então, que o Ministério da Economia invista na ciência, por meio de verbas governamentais que serão destinadas para os variados centros de pesquisas, para que o governo possa ter uma participação efetiva. Paralelamente a isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia devem incentivar a valorização dos cientistas, por intermédio da propagação dos artigos de divulgação científica que motivará o interesse da população, para que esses profissionais possam conseguir realizar suas pesquisas no Brasil. Dessa forma as pessoas que fazem ciências e contribuem positivamente para a sociedade serão mais valorizados, como no período clássico.