Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 12/06/2020
O educador Paulo Freire afirmou que, mediante a educação, o indivíduo adquire a liberdade. Dessa forma, segundo ele, a ciência é um dos pilares cardinais da humanidade. Sob esse viés, lamentavelmente, o Brasil hodierno rompe com a lógica do pensador, uma vez que negligencia tanto a área científica quanto os cientistas. Portanto, existe, no país, uma desafiadora fuga de cérebros, ou seja, de pessoas especializadas, devido à falta de incentivo monetário e ao pouco suporte estrutural.
A priori, principalmente no campo acadêmico, a verba precária é a outra razão fundamental para que os cientistas busquem outros países. Nesse cenário, exprime-se a Bolsa de Pesquisas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fornecida pelo Governo Federal, principalmente aos universitários, para o desenvolvimento de trabalhos científicos. A partir dessa conjuntura, nota-se que ela é insuficiente, ultrapassada e lastimável, haja vista que não consegue suprir as necessidades essenciais do pesquisador, como o transporte, obrigando-o a trabalhar em outros países. Em síntese, tamanha situação impacta diretamente na execução das obras científicas e fere os direitos da Constituição Cidadã , a saber, o preceito à educação de qualidade e à dignidade humana, visto que o suporte estatal é ineficiente.
A posteriori,especialmente nas faculdades públicas, a escassa infraestrutura é a causa basilar para a fuga de cérebros. Sob esse viés, tem-se a “Teoria do Espaço Público”, da filósofa “Hannah Arendt”, a qual ratifica que instituições governamentais devem incluir todos do aspecto social para conseguir exercer a sua função social plenamente. Percebe-se, então, que o Estado tupiniquim vai de encontro ao ideário previsto pela autora, pois a condição das salas de pesquisa universitárias, como a da Universidade do Estado de Pernambuco, é tão precária que impede o engajamento de vários cientistas. Nesse contexto, nota-se que o quadro é absurdo, pois essa constante escassez de recursos, por exemplo, os reagentes químicos e equipamentos de análise experimental, impedem a criação e desenvolvimento de inúmeras pesquisas, como a relacionada ao vírus “COVID-19”.
Destarte, a falta de incentivo monetário e o pouco suporte estrutural são os principais desafios para o combate à fuga de especialistas. Por isso, é mister que o Poder Executivo, junto ao Legislativo, forneça bolsas de pesquisas do CNPq eficientes, mediante a adição de maiores benefícios, por exemplo, o aumento da verba e de descontos fiscais, com o escopo de suprir as necessidades do pesquisador. Ademais, urge que o Ministério da Educação melhore a infraestrutura dos centros de pesquisa, por intermédio da criação de novos e a modernização dos atuais, com a compra de equipamentos tecnológicos, com o desígnio de possibilitar um ambiente inovador para a conclusão de artigos.