Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/06/2020

Segundo o (IBGE), apenas 17% da população sabe ler e escrever de forma proficiente. Sendo isso, reflexo da banalização da sociedade com o engajamento de indivíduos na comunidade científica brasileira, e por consequência os cientistas do país tendem a buscar melhores oportunidades no exterior. Diante disso, tem-se grandes desafios para reverter esse panorama como a desvalorização cultural do incentivo ao desenvolvimento científico individual e baixos investimentos em pesquisas.

Nessa conjuntura, de acordo com o pedagogo Paulo Freire, a educação brasileira se caracteriza como “bancária”, pois os alunos são educados a levarem como verdades absolutas os discursos de seus professores. Dessa forma, o corpo docente tem culturalmente sua curiosidade científica tosada e não desenvolve, na maioria dos casos, um pensamento crítico. Diante disso, é possível avaliar que a metodologia educacional do país não explora, nem incentiva, o desenvolvimento do potencial científico do indivíduo, e assim influenciando na saída dos cientistas para o exterior. Prova da desvalorização cultural do incentivo ao crescimento da ciência no país, esta na ausência de leis que tornem obrigatório a realizações de feiras-culturais nos centros educacionais de ensino fundamental e médio.

Além disso, segundo o sociólogo Bauman, a sociedade se encontra em “tempos líquidos”. Tal premissa se concretiza pela priorização da busca pela ascensão social de forma imediatista. Diante disso, o investimento em pesquisas e educação não trás resultados desenvolvimentistas à curto prazo, tornando-se escassas as verbas e recursos financeiros disponibilizados pelo Estado e empresas privadas, e por consequência disso, tem-se uma limitação na quantidade de empregos voltados à esses objetivos, resultando na intensificação da migração de cientistas brasileiros para o exterior. Prova disso, esta nas pesquisas realizadas pela Folha de São Paulo, que apontam que houve um aumento de 109% em 1 ano do numero de brasileiros pedindo bolsa de pós-Graduação no exterior.

Portanto, é fundamental que se tome medidas para facilitar o desenvolvimento científico, e atenuar a taxa de migrações dos pesquisadores brasileiros. Logo, é necessário que o ministério da educação promova ações de incentivo ao desenvolvimento da curiosidade cientifica na população, e assim valorizando o desenvolvimento do potencial cientifico individual, através de diretrizes que tornem obrigatório a realização de feiras de ciências no ensino fundamental e médio, e ainda orientem os educadores a provocarem questionamentos nos alunos acerca do assunto lecionado. Além disso, o ministério da pesquisa e desenvolvimento, deve investir e promover investimentos em pesquisas científicas, visando aumentar o numero de empregos para esses profissionais, através de palestras e campanhas, que busquem atrair empresas privadas para que forneçam recursos voltados à esses fins.