Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 12/06/2020

O Vale do Silício, localizado na Califórnia, é uma região dos Estados Unidos que abriga várias empresas de alta tecnologia. Apesar de fincado em solo estadunidense, boa parte das pessoas que atuam nesse conglomerado são de outros países, inclusive do Brasil. Nesse sentido, o “complexo do colonizado” presente na nação e a falta de incentivo à ciência são as principais causas da fuga de cérebros brasileiros, fenômeno que prejudica fatalmente o desenvolvimento nacional.

Primeiramente, é preciso se discutir o chamado “complexo do colonizado”, conceito estreado pelo filósofo e médico francês Frantz Fanon. Em linhas gerais, ele o define como a submissão em que a nação, antes colonizada, se coloca, voluntariamente, em face das potências antes colonizadoras (ou simplesmente desenvolvidas), seja num aspecto econômico ou cultural. Nesse contexto, mesmo após a ruptura com a metrópole Portugal, o Brasil continuou portando-se como colonizado, uma vez que depende, até os dias de hoje, de certos produtos e tecnologias estrangeiras — sem buscar criar, ele mesmo, tais bens. Isso se reflete, evidentemente, na produção científica do país — bastante tímida se comparada a outras partes do mundo.

Dessa forma, por assumir sempre a postura de submisso — acreditando que as inovações vêm, necessariamente, de fora —, o Brasil não investe o que deveria em ciência, afinal, segundo a lógica do colonizado, seria um tremendo desperdício fazê-lo. Entretanto, ao negligenciar a produção de conhecimento em seu território, esperando que países desenvolvidos entreguem seus achados a preços exorbitantes, o país é acometido por uma fuga de cérebros para o exterior sem precedentes. Uma vez que não há reconhecimento, infraestrutura e verba para os cientistas da “terra brasilis”, estes procuram melhores condições para trabalhar e desenvolver em outros lugares. Consequentemente, o sistema é retroalimentado, e o Brasil, mais uma vez, mantém-se como mero consumidor.

Logo, a fim de mudar essa realidade e o país passar a ser, também, exportador de conhecimento e tecnologia, o Governo Federal deve priorizar a produção científica, por meio de investimentos massivos e da criação de programas para fomentar a atividade.