Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/06/2020
Segundo a BBC, mais de 22500 brasileiros, em 2019, registraram sua saída definitiva da sua nação de origem, sendo diversos desses imigrantes pesquisadores que queriam prosperar profissionalmente em outros países. Nesse viés, percebe-se que a fuga de cérebros é um problema presente no Brasil e que ela deve ser contendida. Nesse sentido, é fundamental analisar os principais desafios para esse combate: a falta de investimento na ciência e o excesso de burocracia alfandegaria.
Em uma primeira abordagem, deve-se dizer que, conforme a Constituição de 1988, é dever do Estado promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica. Contudo, no Brasil contemporâneo, a ciência não é vista socialmente como forma primordial para o desenvolvimento econômico da nação, o que faz com que os investimentos governamentais nesse âmbito científico sejam escassos e oscilantes. Nesse contexto, essa inconstância no financiamento de pesquisas dificulta o planejamento, o estímulo de projetos audaciosos e a parceria com empresas, pois há a possibilidade de cortes abruptos que podem colocar a perder os avanços conquistados. Dessa maneira, essa falta de investimento em pesquisas, gerada pela baixa valorização da ciência no Brasil, faz com que muitos cientistas procurem oportunidades laborais em outros países.
Em uma segunda análise, pode-se falar que, de cordo com o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 99% dos cientistas precisam importar regularmente materiais para suas pesquisas e que 76% deles já perderam encomendas devido ao tempo excessivamente longo de retenção na alfândega. Nesse contexto, a demora da obtenção dos recursos imprescindíveis para as pesquisas e a possível perda dos materiais dificultam a continuidade dos processos científicos e, consequentemente, prejudicam o desenvolvimento de inovações. Nesse sentido, a burocracia aduaneira é um empecilho para o desenvolvimento da ciência brasileira, fazendo com que o Brasil perca diversos cientistas qualificados para outros países.
Portanto, a fuga de cérebros é um problema que deve ser combatido. Assim, é necessário que o Ministério da Educação promova a valorização da ciência pela sociedade e, consequentemente, pelo governo, por intermédio de palestras mensais nos complexos educacionais, desde a educação infantil, ressaltando a importância da ciência, para que exista investimentos futuros em pesquisas científicas. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e a Receita Federal devem possibilitar o acesso rápido de recursos científicos, por meio da criação de um cadastro nacional, o qual pode ser acessado por pesquisadores, para quem a carga será liberada automaticamente, promovendo a desburocratização aduaneira. Dessa forma, é possível diminuir a imigração de “cérebros” no Brasil.