Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 08/06/2020

De acordo com o Art. 218º da Constituição Federal brasileira, é dever do Estado promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a inovação tecnológica no país. A partir disso, percebe-se, em pleno século XXI, uma realidade que destoa completamente da lei apresentada na Carta Magna. Como consequência, a fuga de cérebros é um problema recorrente no território brasileiro, visto que o apoio e o estímulo aos estudiosos e pesquisadores não são efetivados na Nação. Dessa maneira, faz-se necessária uma análise acerca da importância do investimento na área científica, bem como os desafios impostos no combate à saída de cientistas no Brasil.

É fundamental, inicialmente, entender que o investimento na área científica está diretamente relacionado à saúde da população de uma Nação. Isso pode ser explicado quando é feita uma análise da transposição das fronteiras dos países, devido ao processo de globalização, que é um fator contribuinte, por exemplo, para uma maior taxa de disseminação de doenças. Dessa forma, torna-se imprescindível a atuação dos cientistas na luta para desenvolver medicamentos e até mesmo medidas preventivas para controlar a situação. Para corroborar tal fato, segundo a Universidade Regional do Rio Grande do Sul, o Brasil é um dos países na linha de frente contra o novo Coronavírus, desenvolvendo tecnologias fundamentais, como um ventilador pulmonar para emergências, e até testes de vacinas. Portanto, fica evidente como o investimento científico no país é significante para controlar situações de pandemia como a vivenciada no dias atuais.

Entretanto, o descaso, por parte dos poderes públicos, é um dos desafios que retardam o desenvolvimento científico e, consequentemente, diversos estudiosos, por não receberem apoio e incentivo do Estado, acabam procurando melhores oportunidades fora do país. Segundo dados publicados no site da History Channel, o Brasil destina, aproximadamente, 1,2% do PIB para pesquisas e inovações tecnológicas, enquanto que nos países desenvolvidos, como os EUA, o percentual chega a 3,5% do Produto Interno Bruto. Assim, a fuga de cérebros na pátria “amada” é algo que fugirá do controle governamental caso alguma medida eficiente não seja tomada.

Logo, torna-se imprescindível a atuação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (responsável pela formulação e implementação da política científica no Brasil) na adoção de práticas que auxiliam no investimento e no apoio aos pesquisadores do país. Tal medida pode ser efetivada por meio da parceria com o Fundo Nacional da Ciência e Tecnologia (FNDCT), destinando uma maior parte dos recursos disponíveis para empresas que atuam no ramo científico, a fim de reverter o atual quadro brasileiro de 15º país no ranking de maiores produtores de conhecimento científico no mundo.