Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/06/2020
Conforme o economista Arthur Lewis, “A educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido”. Sob esse viés, compreende-se a importância do investimento no campo educacional, entretanto, atualmente, no Brasil, isso vem sendo deixado de lado, sobretudo na área científica. Isso deságua na fuga de potenciais estudantes para o exterior, motivados por impecilhos como a falta de recursos e incentivo à ciência, além da ausência de uma regulamentação dessa área como profissão.
A priori, segundo a Agência Brasil, o atual orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) está no mesmo nível de 2001. Essa problemática tem como consequência a fuga de potenciais estudantes para o exterior, estagnando a ciência e o avanço intelectual brasileiro. Tal cenário é alavancado quando se analisa o panorama da nação, a qual pouco investe no desenvolvimento de melhores oportunidades para o ambiente intelectivo, isso cria impecilhos no combate a esse impasse. Nessa perspectiva, torna-se perceptível que a escassez de estímulo à inovação e o desperdício de fundos é um dos fatores chaves que fomentam a evasão desses “cérebros”.
Ademais, a ciência não se caracteriza como uma das profissões regulamentadas pelo Ministério do Trabalho (MTE). Tal fato implica na baixa remuneração e ausência de direitos trabalhistas a esses estudiosos que dedicam seu tempo em esforços laborais que geram um produto científico. Devido a esse desprezo muitos intelectuais optam por exercer seu trabalho em ambientes favoráveis aos seus saberes, a maioria se desloca para países desenvolvidos onde esse ofício é regularizado e valorizado. Nesse sentido, percebe-se que a área de estudos brasileiros ainda é circundada por uma visão anacrônica que cria muitos empecilhos para os que se dedicam ao intelecto, isso cria um desafio no combate à evasão de “cérebros”.
À luz dessas constatações acerca dos desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil, portanto, cabe ao MCTIC investir mais em ambientes de estudos. Isso por meio da maior aplicação de capital em centros científicos e universidades, dinheiro esse que deve ser investido na estrutura desses locais e em incentivos que impulsionem essa área. Ademais, o MTE deve reanalisar suas bases e regulamentar a ciência como profissão, tal como os países desenvolvidos, para que os intelectuais estejam protegidos pelos direitos trabalhistas e sintam-se confortáveis exercendo seu ofício. Visando, dessa forma, o combate à evasão de potenciais estudiosos e o avaço do conhecimento científico , o qual é fundamental para o desenvolvimento econômico e social das nações.