Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 06/06/2020

Na série televisiva “Friends”, o personagem David, um cientista, busca de um local com maiores investimentos científicos que o seu território então, ao ganhar uma bolsa de pesquisa na Rússia, abandona seu país, realizando assim uma fuga de cérebros. Essa ficção é cada vez mais frequente na atual realidade, na qual diversos cientistas e pesquisadores migram de seu país na busca de melhores oportunidades no mercado estrangeiro. Assim, os principais desafios no combate a essa realidade em território brasileiro é a falta de investimentos na área científica e o deficit relacionado ao incentivo da ciência nas escolas e universidades.

Devido à Revolução Técnico-Científica, iniciada em meados do século XX, grandes avanços ocorreram na área da ciência, respectivo a esse progresso, essa ‘belle epóque’ tecnológica veio atrela-

da à alta de investimentos em projetos e programas científicos em diversos países, inclusive o Brasil.

Contudo, em 2018, o governo brasileiro cortou pela metade o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação, dificultando estudantes e cientistas que dependiam dessa renda para o pro-

gresso de suas pesquisas. Assim, essas atitudes, somado ao corte de metade das bolsas de pesquisa no país realizado pelo governo em 2019, opõem-se ao pensamento do pai da ciência, Galileu Galilei, ao defender que a ciência é capaz de ampliar os horizontes da humanidade. Dessa forma, os atos realiza-

dos pelo Estado contrapõem o ideal de progresso propagado por Galileu e reforçado no século anterior.

Ademais, um importante desafio no combate à emigração científica é a falta de importância atribuída a essa carreira, déficit esse proveniente desde as escolas. Como pensado pelo sociólogo Florestan Fernandes, a educação junto à ciência possuem capacidade transformadora, de forma, o incentivo desta durante a época escolar acarreta o entusiasmo dos jovens com relação à área, assim, ao chegarem às universidades podem optar dentre os diversos programas científicos atribuídos à ela. Sendo assim, o investimento no incentivo da ciência desde pequenas idade levará à manutenção do corpo biológico teorizado por Émile Durkheim, no qual o indivíduo é uma construção bio-psico-social, pois excluindo a ciência, não há avanço da sociedade.

Sob esse viés, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação em conjunto com o poder Legislativo elaborem um conjunto de leis que estabeleça uma renda mínima mensal de investimento nos programas científicos, incluso os universitários, de forma que uma esfera tão essencial da sociedade não seja desprezada. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação se alie ao Estado na promoção da ciência nas escolas por meio de palestras, visitas ao laboratório e aulas interativas de modo que as crianças sejam engajadas no mundo científico desde pequenas.