Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/06/2020
Após o advento do meio Tecnocientífico-informacional, termo cunhado por Milton Santos, geógrafo brasileiro, que é a repercussão da Terceira Revolução Industrial, o vetor de desenvolvimento socioeconômico se tornou a ciência. No Brasil, apesar disso, os investimentos nas ciências são parcos e redundam em debandada massiva de “cérebros” para outros países, que ofertam fundos robustos para pesquisa. Isso ocorre, sobretudo, em função da inação do Estado e pode reverberar em atrasos graves para o país.
A priori, é imprescindível destacar que a letargia do Estado frente ao sucateamento do meio acadêmico é o motivador mor da fuga de cérebros, uma vez que o Estado brasileiro tem a incumbência de abastecer, financeiramente, esse setor para promover o desenvolvimento do país e não o faz devidamente. Segundo o filósofo Hegel, a sociedade é um acúmulo de contradições e o Estado é a solução para esse conflito, logo, a entidade pública no Brasil não se alinha a essa perspectiva e como consequência, repele “cérebros” para o estrangeiro.
Ipso Facto, os resultados são devastadores para o país, dado que a sobrevivência econômica no sistema capitalista demanda um segmento industrial suficiente e esse, ato contínuo, está atrelado à produção de conhecimento na comunidade científica. De acordo com o filósofo Karl Marx, a sociedade é constituída por infraestrutura, condições materiais, e supraestrutura, condições abstratas. Dessarte, a realidade material brasileira só se dá a partir de esclarecimento no campo científico e por conseguinte só pode se desenvolver, socioeconomicamente, em decorrência dele.
Depreende-se, portanto, que a perda de pesquisadores no Brasil é uma realidade que emana dos escassos investimento nas ciências e que tal fato pode ramificar em estagnação social e econômica. Nesse sentido, medidas devem ser tomadas para reverter essa conjuntura. Para tanto, o Estado deve erguer fundos para pesquisas e expandir bolsas de estudo de pesquisadores. Isso ocorrerá por meio de apelo por capital ao BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento, pelo poder executivo, e ratificação da injeção de capital por parte do poder legislativo. Essa proposta tem por finalidade coibir a saída de
cientistas do país e arregimentar um corpo de pesquisa nacional para engendrar conhecimento, condição fundamental da formulação material que suportará o desenvolvimento do Brasil. Feito isso, o Estado será solução para o conflito posto e o país desfrutará de “cérebros” tão caros a Nação.