Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 12/06/2020
A desvalorização de pesquisadores, cientistas e na educação, em geral, no Brasil é devastadora. Apesar de o país ter contribuído diversas vezes na sociedade científica com estudos e descobertas, não há incentivo para que os profissionais exerçam seus trabalhos. Com isso, percebe-se que grande parte desses “cérebros” deixam o o país para contribuir cientificamente em outros países, onde há melhores condições de trabalho, reconhecimento e real incentivo à produção científica, o que vale a pena ser discutido.
Primeiramente, é importante observar que embora sejam tratadas com descaso, a maior parte da produção científica brasileira é feita em universidades públicas, segundo o Ministério da Educação. Por mais que haja, em muitas universidades, falta de equipamentos básicos, péssimas condições para a realização de trabalhos e pesquisas, escassez de investimentos e diversos cortes de verbas, o trabalho realizado no Brasil é reconhecido internacionalmente. Seja na última epidemia de Zika e Chikungunya ou na atual pandemia de Coronavírus, os pesquisadores brasileiros sempre têm bom desempenho em seus trabalhos, contribuindo para a comunidade científica internacional. Um bom exemplo disso é a vacina para Covid-19 via nasal que está sendo desenvolvida pela Universidade de São Paulo.
Pontua-se, ainda, que o Brasil é um dos países que menos investe na produção cientifica. Enquanto em países como Israel, segundo o Fórum Econômico Mundial, investe mais de 4% de seu PIB em pesquisas, o Brasil investe cerca de 1%. Essa falta de investimento e incentivo à produção científica dificulta o trabalho dos cientistas, que acabam deixando país, o que contribui para a chamada “fuga de cérebros”. Há muitos brasileiros produzindo em lugares como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, e em países europeus e asiáticos, em prol do desenvolvimento científico de tais lugares. Isso se dá pelo fato de que em outros países em que há valorização em pesquisas, a empregabilidade e respeito à área é bem melhor. Por aqui, os pesquisadores e cientistas são desrespeitados pelo próprio Governo Federal, mesmo fazendo diversas contribuições, ainda que com orçamento reduzido em 30%, em 2019.
Nota-se, então, que as más condições de trabalho, a falta de incentivo e empregabilidade contribuem para a evasão de “cérebros” do país. Primeiramente, acima de tudo, deve haver respeito com esses profissionais que muito têm contribuído no campo científico para o país, sobretudo no momento atual, e são insultados pelo Governo. Portanto, o Governo Federal deve incentivar o desen-volvimento científico no país, por meio do aumento de verbas para a área, que permitam, além da melhor preparação desses profissionais, melhores condições de trabalho e estímulos para a produção científica, a fim de que os pesquisadores possam realizar seus trabalhos aqui, e não em outros países.