Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 10/06/2020

No contexto atual, nota-se que os atuais jovens pesquisadores desacreditados com a valorização tecnológica vigente no Brasil, têm emigrado de forma exponencial (só em 2018 cerca de 23.271 brasileiros qualificados saíram do país, de acordo com o BBC NEWS BRASIL) para países nos quais tanto a tecnologia quanto a ciência são valorizadas, é o chamado “Fuga dos Cérebros”, de acordo com o professor emérito da Universidade de Brasília, Isaac Roitman. No entanto, vale destacar dentre os vários desafios enfrentados pelos pesquisadores: a falta de empregabilidade destes profissionais qualificados, como também a carência de investimentos por parte dos orgãos públicos em relação às áreas de ciência e tecnologia.

É válido ressaltar que o Brasil não possui relevante empregabilidade para pesquisadores e cientistas, somado à ausência de projetos e campanhas para atraírem esses profissionais no Brasil, conforme estudo apontado pela revista Exame a fuga de cérebros fez o Brasil ocupar o 80° ranking no tocante à competitividade global de talentos, com isso, nota-se que o mundo está desenvolvendo-se cientificamente e tecnologicamente, mas o Brasil não está conseguindo acompanhar tal desenvolvimento. Fatores esses que contribuem para que os profissionais qualificados busquem melhor capacitação em outros países.

Em 2019, a área de pesquisa sofreu um dos maiores cortes em investimento, cerca de 33% de acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), levando ainda em consideração que nesse mesmo ano, o Governo Federal anunciou um corte de 580 milhões no orçamento do Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal e Nível Superior). Contudo, todos esses fatores, sejam de cortes ou ainda a carência de investimentos por parte dos orgãos federais, acarretam diretamente em problemas relacionados tanto à saída  de profissionais qualificados para o exterior, quanto para o regresso da ciência e tecnologia tendo em vista que através do não investimento nessas áreas, pesquisadores e cientistas ficam impedidos de realizarem importantes pesquisas que serviriam de base para o combate de doenças atuais, como a Microcefalia, por exemplo.

Em síntese, observa-se que os principais desafios no combate à fuga de cérebros são: a carência de investimentos por parte do Governo como também a ausência de capacitação para esses profissionais. Logo, para a solução desses desafios, faz-se necessária a participação conjunta do Governo Federal em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia para promoverem e financiarem projetos desenvolvidos por pesquisadores e cientista por intermédio da realização de programais governamentais semelhantes ao Ciência sem Fronteiras, possibilitando melhor capacitação científica.