Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 08/06/2020

A Revolução Técnico-Científica, ocorrida na segunda metade do século XX, fomentou diversos avanços no campo da tecnologia, da informação e do conhecimento. Entretanto, no Brasil, o desenvolvimento científico é extremamente desvalorizado e negligenciado, favorecendo a saída de grandes estudiosos para o exterior. Dessa forma, os desafios no combate à fuga de cérebros brasileiros encontram-se no descaso governamental e na falta de apoio e interesse popular no âmbito da ciência.       A princípio, analisa-se a desvalorização popular sofrida pelo conhecimento científico no Brasil. Nesse sentido, verifica-se uma sociedade que não compreende e, por sua vez, não reconhece a importância dos investimentos de recursos governamentais no meio acadêmico, classificando-os como um desperdício. Isso porque, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, o corpo social da atualidade é composto de indivíduos imediatistas, que tendem a agir aspirando a consequências rápidas e efêmeras, e não duradouras. Diante disso, observa-se o porquê da displicência com a educação científica, já que essa origina diversos progressos positivos e de extrema importância, mas que extraem resultados em longo prazo. Assim, os cidadãos, por falta de esclarecimento, deixam de apoiar e enfraquecem o combate à fuga de cérebros brasileiros, os quais buscam por reconhecimento social fora do Brasil.

Outrossim, avalia-se o descaso governamental com a educação e as pesquisas científicas. Nesse contexto, a falta de investimento de recursos públicos na formação e na manutenção de cientistas corrobora com a perpetuação dos preconceitos supracitados e com a regressão da ciência brasileira. Isso posto, torna-se imensurável o prejuízo nacional diante da ausência de uma educação de qualidade, pois, consoante ao filósofo Immanuel Kant “o homem é aquilo que a educação faz dele”. Acerca dessa desvalorização, dados do site de notícias UOL constatam uma redução de 56% dos investimentos em educação nos últimos 4 anos. Por conseguinte, os cientistas não possuem apoio para pesquisas nem tampouco salários que justifiquem seus esforços. Dessarte, os cérebros brasileiros buscam por melhores oportunidades e condições de trabalho e de vida no exterior, onde o Estado e a população valorizem a produção de conhecimento científico e sua importância para a humanidade.

Em suma, os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil devem ser rechaçados e eliminados. Portanto, urge que o Ministério da Economia destine maiores recursos à educação brasileira, que deve ser priorizada, por meio de maiores planejamentos financeiros e de políticas mais rígidas de combate ao desvio de verbas, como a Lava Jato.Isso deve ser feito a fim de que os patrocínios de pesquisas científicas cresçam, assim como a qualificação da educação pública do ensino básico ao universitário,a fim de que cientistas sejam incentivados e subsidiados para permanecerem em seu país.