Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/06/2020
A Revolução Técnico-Científico-Informacional, do século XX, exigiu uma maior qualificação do trabalhador a fim de que ele desenvolva melhorias nos setores de tecnologia de ponta e pesquisas. A partir desse contexto, houve um aumento no país, por exemplo, de cientistas e peritos em informática no mercado, sendo denominados de “cérebros”. E o Brasil, apesar de oferecer um ensino adequado a esses profissionais nas universidades, não concede recursos suficientes para a manutenção dos seus estudos. Além disso, há uma desinformação da sociedade em relação aos benefícios trazidos pelo investimento na ciência e tecnologia. Esses entraves favorecem a saída desses profissionais do país.
A princípio, a principal causa para a “fuga de cérebros” no Brasil é a falta de recursos nos projetos de muitos profissionais, sobretudo na área da ciência. Isso é perceptível, por exemplo, na ausência de indústrias nacionais voltadas para a fabricação de equipamentos de suporte à produção acadêmica. Assim, os cientistas ficam muito dependentes das peças estrangeiras, que podem ter um tempo maior para chegar ao Brasil, atrasando as suas pesquisas. Em consonância com essa ideia, o geógrafo Milton Santos, afirma que a globalização é perversa, ou seja, ela cortina as desigualdades entre os países mais e menos desenvolvidos, contribuindo para a dominação daqueles sobre estes. Por isso, percebe-se que a insuficiente aplicação financeira nesses setores de qualificação favorece a ida dos “cérebros” para os países desenvolvidos, aumentando a elaboração de novas tecnologias de ponta nessas nações, consequentemente, a necessidade de o Brasil exportar delas as técnicas produzidas.
Além disso, a saída de profissionais qualificados do Brasil está atrelada à falta de reconhecimento dada por grande parte da população, principalmente, aos cientistas. Desse modo, segundo a Receita Federal, em 2017, 21.236 brasileiros extremamente capacitados saíram definitivamente do país. E um dos fatores que influenciam esse problema é a pouca divulgação das descobertas científicas brasileiras no próprio país. Isso está associado a uma cultura fortemente propagada de que tais profissionais “só estudam e não trabalham”, por necessitarem de um maior tempo para a concretização de um projeto. Logo, isso desfavorece a devida credibilidade que deveriam ter pelo seu trabalho que é muito importante para os avanços brasileiros e a diminuição da dependência dos países estrangeiros.
Portanto, para que haja a diminuição da saída de profissionais qualificados do Brasil, é preciso que o Ministério da Ciência e Tecnologia assegure a manutenção de pesquisas dos cientistas, por meio de mais investimentos nessa área, com o projeto “Cientistas ficam no Brasil”. Ademais, esse órgão com a mídia deve conscientizar a sociedade sobre a valorização de cientistas, por propagandas televisivas em todos os horários. Assim, a dependência do Brasil em relação aos países estrangeiros irá diminuir.