Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 09/06/2020

Segundo o Instituto Europeu de Administração de Empresas (INSEAD), do ano de 2019 a 2020, a fuga de cérebros no Brasil saltou da 45º para a 70º posição. Nessa pespectiva, tal desempenho revela uma incapacidade do país em criar e reter cientistas, o que implica em diversos desafios para combater essa diáspora. Dentre as quais estão o aumento de investimentos governamentais junto ao estímulo a valorização científica pelo corpo social.

A princípio, segundo dados divulgados pela Receita Federal, de 2011 a 2018 as declarações de saída definitiva do país aumentaram 184%. Nesse sentido, é incontrovertível que dentre esse contingente de brasileiros deixando o país estão também muitos cientistas que, mediante ao descaso governamental no que diz respeito a investimentos na área científica, buscam oportunidades em outros países. Certamente, esse êxodo de cérebros possui reflexo em diversos âmbitos, como por exemplo o econômico que, refletindo o escasso estímulo à ciência, fica dependente de descobertas de outras nações e isso tende a custar mais caro para o Brasil. Dessa maneira, um dos desafios para conter essa fuga de profissionais é um maior investimento por parte do Estado, que resultará em um maior crescimento de pesquisas e uma melhora na qualificação do profissional brasileiro.

Ademais, segundo o biólogo sul-africano Molapo Qhobela, na medida em que a sociedade enxerga o poder transformador da ciência, mais ela passa a demandar dessa área. Nesse ínterim, é inquestionável o valor do cientista para todo um país, contudo, no Brasil a população tende a terceirizar esse profissional por muitas vezes não compreender sua importância. De certo, por não estimular a valorização desses individuos, o país perde não somente os cientistas já existentes, como também jovens com potencial para a atuação nesse meio. Dessarte, o combate à fuga de cérebros é um reflexo do quanto o pouco reconhecimento do corpo social pode afetar toda uma comunidade de trabalhadores, gerando impactos que contribuem para a inércia social e econômica do país.

Em suma, medidas fazem-se necessárias no tocante aos desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil. Primeiramente, o Estado deve, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), investir mais na ciência brasileira, com a abertura de vagas no campo das pesquisas e destinando verbas que auxiliem os profissionais já atuantes no país, para mitigar a diáspora existente. Somado a isso, é necessário que o Corpo Estatal, aliado ao Ministério da Educação, invista numa maior conscientização do meio social, mediante a palestras que, com a presença de cientistas, demonstrem a importância dessa área na sociedade, no intuito de valorizar tal profissional e desenvolver jovens com potencial para atuação nesse meio.